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2025-12-08 às 12h16

Ministério da Saúde reforça resposta do SNS e apela à vacinação dos grupos prioritários

Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na conferência de imprensa sobre a situação da gripe, Lisboa, 8 dezembro 2025 (Manuel de Almeida/Lusa)
Portugal regista uma atividade gripal crescente nas últimas semanas, à semelhança do que acontece noutros países europeus, com impacto já visível nas unidades de saúde, fez notar a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, em conferência de imprensa conjunta com a Direção Executiva do SNS e a Direção Geral da Saúde, no dia 8 de dezembro.

"Posso assegurar que as nossas instituições estão preparadas e articuladas – desde os hospitais e centros de saúde, ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), à Direção-Geral da Saúde, ao Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, e à Direção Executiva do SNS – para dar a melhor resposta possível aos portugueses, desde a prevenção até ao tratamento", garantiu. 

Este ano, a época gripal "começou cerca de um mês mais cedo do que é habitual". Está a predominar o vírus influenza A(H3), com a deteção de um novo subtipo, o que poderá ter maior impacto na população em geral e, sobretudo, nos grupos de maior risco, como os idosos e as pessoas com doenças crónicas.

As próximas oito semanas serão particularmente exigentes. É previsível um aumento da procura nos serviços de urgência hospitalar, nos centros de saúde e na Linha SNS 24 – sinais que, aliás, já começaram a ser observados.

SNS aplica medidas do Plano de Inverno

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a seguir o Plano de Resposta Sazonal para o Inverno, que define medidas para reforçar a capacidade existente das unidades de saúde durante os meses de maior pressão, adiantou a Ministra da Saúde. 
Este Plano enquadra os planos locais de contingência que cada Unidade Local de Saúde e de cada Instituto Português de Oncologia elaborou, de acordo com as orientações da Direção-Geral da Saúde e da Direção Executiva do SNS.

A governante admitiu que talvez venha a existir "um aumento da procura nos serviços de urgência hospitalar, nos centros de saúde, na linha SNS24", com tempos de espera acima do clinicamente aceitável, e que, por isso, poderá ser necessário suspender "a atividade cirúrgica, mantendo sempre as cirurgias urgentes e as cirurgias oncológicas".

Assim, para reforçar a capacidade de resposta do SNS serão alargados os horários dos Centros de Atendimento Clínico (CAC) e dos Serviços de Atendimento Clínico (SAC). O INEM reforçou, igualmente, a sua capacidade de resposta pré-hospitalar, para garantir atendimento dentro dos tempos preconizados, e foram ativados novos protocolos de Postos de Emergência Médica (PEM) na Margem Sul e em Lisboa e foi pedido o reforço de ambulâncias de reserva junto da Liga dos Bombeiros Portugueses e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Mais camas sociais e apoio domiciliário

Por outro lado, em articulação com o Ministério do Trabalho e Segurança Social, estão a ser disponibilizadas mais camas em Estruturas Residenciais para Idosos e em cuidados domiciliários. O Programa Apoio Domiciliário+Saúde abrange neste momento mais de 150 pessoas, e todos os dias, são disponibilizadas mais camas sociais e de apoio ao internamento hospitalar.

Ana Paula Martins salientou que, em Lisboa e Vale do Tejo, a região com maior carência, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa "disponibilizou já 27 camas sociais e outras112 para apoio ao internamento hospitalar. E está a procurar disponibilizar uma resposta de emergência de mais 50 camas nas próximas semanas. São 180 camas nos próximos dias que esperamos que sejam mais nos próximos meses."

Vacinação: a melhor proteção

A vacinação contra a gripe continua a ser a medida mais eficaz de prevenção. Até 30 de novembro, já tinham sido vacinadas 2.297.551 pessoas, mais 139.386 do que no mesmo período de 2023, com elevada cobertura nos grupos de maior risco.

A Ministra da Saúde reforçou o apelo à vacinação por "quem ainda não se vacinou e faz parte dos grupos prioritários", devendo "fazê-lo o quanto antes". "A vacina é gratuita para os grupos prioritários e está disponível nos centros de saúde e nas farmácias aderentes", sinalizou.

Por sua vez, a Diretora-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, garantiu que há vacinas para todos os grupos de risco. Cerca de 75% dos idosos residentes em lares com mais de 85 anos estão vacinados, bem como cerca de 70% dos residentes com menos de 85 anos.

O que todos podemos fazer

Além da vacinação, há medidas simples e eficazes que todos podem adotar:
  • Usar máscara em espaços fechados ou quando se apresentam sintomas respiratórios;
  • Proteger-se do frio e cuidar especialmente dos mais velhos e vulneráveis;
  • Contactar primeiro a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o centro de saúde antes de recorrer à urgência;
  • Reservar os serviços de urgência hospitalar para situações efetivamente urgentes;
  • Lavar frequentemente as mãos e ventilar os espaços.
Task force a acompanhar evolução

À semelhança do inverno passado, o Ministério da Saúde ativou uma task force que inclui a Direção Executiva do SNS, a Direção-Geral da Saúde, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, o INEM e a Linha Saúde 24 para avaliar diariamente a situação e tomar as medidas necessárias.

"O desafio que enfrentamos é coletivo", sublinhou a ministra. "Com organização do sistema de saúde, prevenção e responsabilidade individual, conseguiremos atravessar estas semanas com tranquilidade e garantir que a resposta do SNS chegue a quem precisa, a tempo e horas."