O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, esteve em Baião para assinalar a entrega de equipamentos especializados destinados ao reforço da prevenção de incêndios rurais e à melhoria da gestão florestal. A iniciativa, promovida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), representa um investimento de 50 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e prevê a distribuição de maquinaria a várias Comunidades Intermunicipais e municípios.
Luís Montenegro destacou que "estes equipamentos são sobretudo para serem utilizados na prevenção, na gestão, no ordenamento, naquilo que possamos fazer antes para evitar aquilo que pode vir a acontecer. Devemos evitar as tragédias. Evitar as ocorrências é a primeira e grande motivação e o primeiro grande objetivo. O segundo grande objetivo é, quando elas não conseguirem ser evitadas, terem uma dimensão menor e uma duração também menor".
Equipamentos para reforçar o trabalho no terreno
Os novos meios permitem intervir na rede viária florestal, gerir faixas de combustível e melhorar o acesso das equipas de Sapadores Florestais a zonas sensíveis de vigilância, aumentando a capacidade de resposta do país face aos riscos de incêndios.
Entre os equipamentos entregues encontram-se:
- 18 bulldozers/máquinas de rastos para Comunidades Intermunicipais;
- 57 tratores para municípios e Organizações de Produtores Florestais (de um total de 285);
- 125 viaturas multifunções para transporte de equipas e equipamentos do ICNF, essenciais em ações de fogo controlado, gestão florestal e monitorização de agentes bióticos e abióticos.
"Trabalhar no inverno para proteger no verão"
O Primeiro-Ministro sublinhou a importância de uma estratégia contínua:
"Estamos a semear no inverno para colher no verão e no outono, protegendo o valor da floresta e as nossas comunidades."
Acrescentou ainda que: "Só é possível travarmos esta guerra — a guerra da prevenção e a guerra depois do combate — se cada um de nós olhar para esta tarefa como uma tarefa de todos e não a pensar apenas em si, e não a pensar apenas como o seu departamento tem que ser mais valorizado."
A estratégia pretende garantir melhor acessibilidade às áreas florestais, apoiar o trabalho dos Sapadores Florestais e reduzir a vulnerabilidade do território nos períodos mais críticos.
Plano "Floresta 2050, Futuro + Verde"
Esta iniciativa integra o Plano "Floresta 2050, Futuro + Verde", um pacto de regime para 25 anos aprovado pela Assembleia da República. Segundo o Primeiro-Ministro, o Governo "vê a floresta como um ativo estratégico nacional capaz de gerar mais bem-estar para as populações".
Entre as prioridades destacadas estão:
- Criar melhores condições para quem trabalha a floresta e cuida do território, garantindo justa retribuição;
- Investir na mitigação dos fenómenos naturais extremos, através da Comissão Interministerial para a Ação Climática;
- Reduzir a angústia das populações nos períodos quentes e secos, com a prioridade nacional "Água que Une";
- Dotar as equipas de bombeiros de mais meios para enfrentar incêndios cada vez mais perigosos devido às alterações climáticas.
Outras medidas em curso
- Expansão do fogo controlado, mais do que duplicando a área intervencionada;
- Apoios à redução de combustíveis através de pastorícia extensiva em 44 mil hectares de baldios;
- Linha de apoio de 10 milhões de euros para empresas de exploração florestal;
- Aviso de 8 milhões de euros destinado à capacitação de empresas de silvicultura e gestão florestal.
Estão também a ser preparadas propostas legislativas para reduzir a fragmentação da propriedade e resolver problemas associados a heranças indivisas.
Trabalho de proximidade com as autarquias
A estratégia nacional assenta na proximidade das autarquias às populações e ao território. O Estado disponibiliza meios e recursos, enquanto os municípios — conhecedores das vulnerabilidades locais — atuam no terreno para dar resposta às necessidades mais urgentes.
O Primeiro-Ministro sublinhou a determinação do Governo em transformar o país, num esforço conjunto que envolve Comunidades Intermunicipais, municípios, Organizações de Produtores Florestais, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e entidades da Administração Central, como o ICNF.