O Governo, através do Primeiro-Ministro e da Ministra da Administração Interna, "esteve sempre ao leme, a acompanhar a situação no terreno e a coordenar as ações políticas" da sua responsabilidade, afirmou o Primeiro-Ministro Luís Montenegro.
"Estivemos antes, estivemos durante e estamos depois de cada ocorrência", acrescentou Luís Montenegro no debate sobre a situação dos fogos florestais, na Comissão permanente da Assembleia da República.
"Antes, atuámos na prevenção e na preparação do dispositivo de combate; durante, decidimos a situação de alerta e a coordenação entre os vários ministérios e serviços da administração; estivemos e estamos após a ocorrência dos incêndios, no apoio rápido às pessoas e às empresas mais afetadas", sublinhou.
Prevenção e dispositivo
Luís Montenegro afirmou que "é falsa a ideia de que não houve prevenção no terreno", referindo alguns números:
- Reforço do programa de sapadores florestais, havendo hoje 415 equipas e cerca de dois mil operacionais;
- Aumento do apoio base, por equipa, de 55 000 para 61 600 euros;
- Apoio ao aumento adicional para as brigadas da responsabilidade das comunidades intermunicipais de 65 000 para 72 800 mil euros;
- Constituídas mais 50 operações integradas de gestão da paisagem, havendo agora 62, quando apenas existiam 12 antes de assumirmos o Governo;
- Alargado o prazo para limpeza de terrenos até 15 de junho;
- Intervenção na rede primária de faixas de interrupção de combustível no total de 10 795 hectares;
- Atuação nos mosaicos de gestão florestal envolvendo 21 992 hectares;
- Controlo e autorização de queimadas em 3 562 hectares;
- Intervenção na rede viária florestal em 2 756 quilómetros;
- Constituição de mais 501 condomínios de aldeia, havendo agora há 821, quando antes havia 320.
O Primeiro-Ministro destacou que "o dispositivo de combate aos incêndios é o maior de sempre. Envolve 76 meios aéreos, mais 869 operacionais e mais 238 veículos de combate do que no ano passado".
Severidade meteorológica
"Apesar das medidas preventivas e do dispositivo, a força do inimigo foi enorme. Foram mais de 25 dias ininterruptos de severidade meteorológica extrema. foram mais 65% de ocorrências de 1 a 20 de agosto, e apesar de as taxas de sucesso da intervenção inicial serem superiores a 93%, e da resposta chegar em média 15 minutos após a notícia da ignição, a verdade é que não conseguimos evitar grandes incêndios, quer na dimensão, quer na duração", disse.
O Governo está "a trabalhar para que não volte a haver situações graves nos meses de setembro e outubro, mas é muito útil que se perceba o que aconteceu e por que aconteceu, por que razão tivemos estes elevados níveis de propagação e reacendimento", acrescentou.
Apoio e investigação
No
apoio às populações afetadas "aprovámos uma lei-quadro que agiliza procedimentos para reconstrução de habitações, reposição da atividade agrícola e pecuária, manutenção de postos de trabalho e a viabilidade de todas as empresas afetadas".
Luís Montenegro disse também que "tal como prometemos, estão em investigação, por equipas próprias, os crimes de incêndios doloso e o aprofundamento da eventual conexão entre estes crimes e alguns interesses económicos".
Até 24 de agosto, foram detidas 103 pessoas, face a 60 no ano passado, a PJ e a GNR, e foram inquiridas mais de mil pessoas nestas investigações, referiu.
Plano para a floresta
O Primeiro-Ministro referiu ainda, na sua intervenção de encerramento, a "questão de fundo" da organização da floresta, das políticas de coesão territorial, da aposta estratégica na agricultura, pecuária e produção florestal, "enquanto motores de atividade económica que sustenta famílias e salvaguarda o povoamento do território".
Para isto, o Governo apresentou o Plano de Intervenção para a Floresta "a 21 de março, antes do verão".
O plano contém "políticas, decisões e ações que contribuem para diminuir a perigosidade e as consequências dos incêndios" e visa valorizar a floresta, aumentar a sua resiliência, "remover muitos obstáculos legislativos e jurídicos, de identificação da propriedade", da correlação entre propriedade e responsabilidade que extravasa a propriedade de cada fração.
O plano "tem 30 medidas que já estão em execução", mas, sendo um plano a 25 anos, e apesar de ter contado com 400 contributos, "estamos muito a tempo de o aprofundar".
Solidariedade
Luís Montenegro renovou "o pesar do Governo pelos quatro compatriotas que perderam a vida", expressou "o desejo de rápida e plena recuperação aos que se encontram feridos" e exprimiu "solidariedade a todos os que foram afetados pela proximidade das chamas".
"Aos bombeiros, aos militares da GNR e forças de segurança, aos agentes da proteção civil, aos sapadores florestais, às forças armadas, aos autarcas, às associações e a todos os voluntários, o nosso profundo reconhecimento pelo inestimável esforço que fizeram e fazem para proteger as nossas vidas e o nosso património", disse.