Portugal enfrenta hoje um desafio estrutural: garantir um Estado que seja simultaneamente mais ágil na decisão e mais exigente na responsabilização. Durante demasiado tempo o modelo de controlo assentou num excesso de formalismo e num bloqueio administrativo prévio que, sem melhorar a qualidade da despesa pública, acabou por atrasar investimentos, criar incerteza e comprometer a execução de projetos estratégicos.
A proposta para a reforma da Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas responde diretamente a esse problema. Não elimina o controlo — torna-o mais eficaz. Não reduz o escrutínio — torna-o mais inteligente, mais previsível e mais justo. De acordo com o Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Saraiva Matias, "Portugal não precisa de menos controlo — precisa de melhor controlo. Esta reforma acaba com bloqueios inúteis e reforça aquilo que realmente protege o interesse público: responsabilidade, transparência e boa gestão."
O novo modelo aproxima Portugal das melhores práticas europeias, substituindo um controlo prévio generalizado por um sistema mais equilibrado, assente em três pilares: maior clareza institucional, reforço da auditoria e responsabilização financeira mais exigente. Ao mesmo tempo protege a decisão pública sã e prudente dos mecanismos que permitem identificar e sancionar comportamentos verdadeiramente lesivos do interesse público.