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2022-10-13 às 16h37

NATO vai reforçar a dissuasão contra a chantagem nuclear russa

Ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, à chegada para a reunião de Ministros da Defesa da NATO, Bruxelas, 13 outubro 2022
«A ameaça nuclear é para levar a sério e do lado da NATO há a perspetiva de que temos de reforçar a nossa postura defensiva e dissuasiva para lidar com esta ameaça» feita pela Rússia, disse a Ministra da Defesa, Helena Carreiras, numa declaração no final de uma reunião de Ministros da Defesa da NATO, em Bruxelas.

A «preocupação de todos os Aliados» é «centrar o seu esforço no reforço da proteção, porque, é o reforço de dissuasão que vai ajudar a lidar com a ameaça nuclear», acrescentou.

Os Ministros da Defesa da NATO estiveram reunidos durante dois dias para discutir o reforço do apoio à Ucrânia, e a salvaguarda de infraestruturas críticas como gasodutos de abastecimento dos países europeus.

Helena Carreiras afirmou a importância de defender e proteger as infraestruturas críticas, nomeadamente «linhas de comunicação marítima e linhas de fornecimento de energia», contra «ameaças, agora, muito em particular, identificadas como vindas da Rússia, mas não apenas» dela.

Em Portugal, «há um conjunto muito alargado de infraestruturas críticas, que não têm a ver necessariamente com a defesa», cuja vigilância e monitorização tem de ser reforçada.

A Ministra referiu ainda «a intensificação da vigilância dos cabos submarinos», apontando o reforço dos planos existentes para vigiar e para melhor proteger essas infraestruturas […] dos vários ramos das Forças Armadas».

Helicópteros

A Ministra anunciou que, «a pedido da Ucrânia e em articulação com o Ministério da Administração Interna, vamos disponibilizar à Ucrânia a nossa frota de helicópteros Kamov que, em virtude do cenário atual, das sanções impostas à Rússia, deixámos de poder operar» por não terem certificados de aeronavegabilidade nem poderem ser reparados em Portugal.

«Os ucranianos conhecem as condições em que se encontra o material», que será «transferido no estado em que está», e reparado na Ucrânia que tem helicópteros semelhantes.

Os Kamov serão «muitíssimo úteis à Ucrânia e esta cedência foi muito agradecida pelas nossas contrapartes ucranianas», devendo a transferência ocorrer «o mais rapidamente possível».

Apoio militar à Ucrânia

Helena Carreiras disse também que «os países demonstraram, de forma absolutamente clara, a sua intenção de continuar a apoiar a Ucrânia», havendo «uma grande sintonia de posições entre os Aliados».

Portugal já enviou para a Ucrânia equipamentos individuais, armas, munições, veículos blindados, sistema de comunicações e drones, material sanitário e médico, tendo ainda manifestado disponibilidade para acolher refugiados e combatentes feridos, bem como de treinar soldados ucranianos.

Os Ministros da Defesa da NATO afirmaram ainda «a importância de reposição dos stocks de munições e equipamentos que estão deficitários em todos os países».

Por isto, discutiram «iniciativas de aquisição conjunta que visam repor os níveis necessários de munições das chamadas reservas de guerra, com vista a enfrentar a situação que vivemos, que é de facto uma situação de guerra, uma situação que nos obriga a todos a reforçar as nossas capacidades e as nossas defesas», disse.