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2020-07-01 às 13h08

Reabertura das fronteiras entre Portugal e Espanha

Reabertura das fronteiras entre Portugal e Espanha
Primeiro-Ministro António Costa e Presidente do Governo de Espanha, Pedro Sanchez, na cerimónia de reabertura de fronteiras, Elvas, 1 julho 2020 (Foto: Nuno Veiga/Lusa)
«Para todas as gerações que nasceram e cresceram com Portugal e Espanha como parceiros na União Europeia, o fecho das fronteiras foi um momento único que queremos que não volte a acontecer», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa numa declaração conjunta à imprensa com o Presidente do Governo espanhol, Pedro Sanchez, em Elvas, após a parte portuguesa da cerimónia de reabertura de fronteiras, que foi presidida pelos Chefes de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa e Felipe VI.

O Primeiro-Ministro referiu que «esta é a fronteira mais antiga da Europa, que simbolicamente reabrimos visitando duas fortalezas que construímos para nos separarmos durante séculos. Nada melhor que voltar aos marcos da história para simbolizar esta vontade comum de nos encontrarmos e voltarmos a ser vizinhos muito próximos». 

António Costa afirmou que a Europa de hoje, que «está a tentar ver como será a sua resposta económica à crise criada pela pandemia», «precisa de uma mensagem positiva destes dois países que não veem a abertura de fronteiras como uma ameaça, mas como uma oportunidade para o desenvolvimento comum».

Recuperação económica

Na União Europeia «temos de perceber que esta crise não é de uns países, é uma crise global. As previsões do FMI, da OCDE dizem que não há nenhum país que não vá sofrer uma crise económica importante. Para sairmos em conjunto dessa crise temos de juntar as sinergias que o mercado interno constitui», disse.

A União já deu «um passo de gigante, comparando com as crises anteriores», afirmou, referindo as ações do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia na resposta à pandemia, e destacando «a proposta histórica Next Generation que é uma oportunidade extraordinária de juntarmos esforços das economias mais desenvolvidas do mundo para uma forte recuperação económica».

«A recuperação económica da Europa será uma alavanca para a recuperação à escola global», disse António Costa, acrescentando que deve ser concretizada através de programas «focados no futuro, nos desafios da transição digital, da transição climática, de maior autonomia estratégica na Europa». 

«Não vejo nenhuma razão para que Holanda, Suécia, Áustria e Dinamarca estejam menos empenhadas do que nós na recuperação económica do conjunto da Europa», disse ainda.

Cumprir as normas

O Primeiro-Ministro assinalou que «é fundamental que os portugueses que forem a Espanha estejam conscientes que têm de cumprir as normas de sanidade e que os espanhóis que venham a Portugal» também as cumpram.

«Todos temos de ter muito claro que enquanto não houver uma vacina vamos ter de conviver com a Covid-19, que é uma nova realidade em todo o mundo. Temos de aprender a viver prevenindo-nos de nos contagiarmos e de contagiarmos alguém, usando as máscaras, mantendo a distância física, a higiene das mãos, a higiene respiratória». 

António Costa disse também que «se todos cumprimos as regras vamos todos poder viver melhor e esta fronteira ficará aberta para sempre porque já tivemos demasiados séculos de fronteira fechada».

«Jamais volte a ser preciso fechar fronteiras»

O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sanchez, afirmou a gratidão do Governo e da sociedade espanhola ao Governo e à sociedade portuguesa pelo apoio que deram a Espanha ao longo destes meses difíceis, desejando que «jamais volte a ser preciso fechar as fronteiras».

Referindo que portugueses e espanhóis são «dois povos irmãos com história, cultura, afinidades comuns», com «uma relação cordial, que queremos que se intensifique, melhore e se aprofunde», que também têm «uma visão comum dos reptos e transformações que a pandemia e a construção europeia nos colocam».

O Presidente do Governo espanhol assinalou a importância da reabertura das fronteiras no espaço Schengen, destacando que a União Europeia deu uma resposta conjunta.

Pedro Sanchez sublinhou que «esta crise da Covid-19 é uma excelente oportunidade para a Europa afirmar o seu modelo de um Estado de bem-estar forte, saúde pública gratuita e universal, que permitiu salvar muitas vidas».

«Isto está politicamente relacionado com o debate na Europa sobre a resposta a dar a esta crise, que deve ser positiva, inclusiva e transformadora, porque acelerou alterações que já estavam a acontecer», disse, sublinhando a importância da coesão europeia no fortalecimento do projeto de cidadania europeia.