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Notícias

2020-02-12 às 19h31

Prevenção dos fogos rurais exige trabalho coletivo de toda a sociedade

Primeiro-Ministro António Costa e Ministros Eduardo Cabrita e Matos Fernandes no encerramento da discussão pública do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, Santarém, 12 fevereiro 2020 (foto: Paulo Vaz Henriques)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais deve ser executado ao longo dos próximos 10 anos de forma disciplinada, consequente e persistente, no encerramento do seminário que concluiu a discussão pública do Plano, em Santarém.

«Ao longo dos 10 anos de execução deste plano iremos certamente ter muito más notícias nos telejornais e, ou resistimos a cada uma dessas notícias e persistimos disciplinadamente, consequentemente, persistentemente na execução desta estratégia, ou aquilo que teremos no final não serão boas notícias para a década seguinte, mas serão piores notícias ainda», afirmou.

O Primeiro-Ministro sublinhou que o problema dos fogos rurais não se resolve «nem queixando-se do bombeiro que não chegou ou do meio aéreo que não veio, nem deste Ministro da Administração Interna, nem daquele comandante nacional». 

Trabalho de toda a sociedade

O problema dos fogos rurais «exige mesmo um trabalho coletivo de toda a sociedade, agindo sobre o território, agindo sobre os comportamentos e também, naturalmente, melhor prevenindo e melhor organizando os meios de proteção e os meios de socorro». 

António Costa recorreu a uma imagem do futebol, afirmando que «se uma equipa não marca golos não é por culpa do guarda-redes». «O guarda-redes só lá está para evitar que uma equipa sofra golos, não se pode pedir ao guarda-redes que marque os golos que a equipa tem de marcar». 

«Ora, os nossos agentes da proteção civil são mesmo só os guarda-redes. Quem tem de fazer de ponta de lança, de meio campo, de defesa somos todos nós e é para isso que estamos aqui a construir uma estratégia que nos tem de empenhar a todos», disse.

Hoje terminou apenas a fase de discussão do plano, sendo agora necessário construir um programa de ação, porque que as boas notícias dos números de fogos relativos aos anos de 2018 e 2019, com a redução do número de ignições (menos 47%) e da área ardida (menos 69%), quando comparados com o período 2008/2017, não podem levar a sociedade a baixar a atenção, referiu.

Alterações climáticas aumentam risco

Sublinhando que, fruto das alterações climáticas, o risco de incêndio vai aumentar seis vezes por cada grau que a temperatura aumente, o Primeiro-Ministro disse que a exigência de prevenção de risco é «absolutamente crucial e estratégica», sendo a tarefa para a qual o plano que tem sido elaborado pelas várias entidades envolvidas.

«Não podemos ter de novo o risco de voltarmos a ter um ano como o de 2017. Por isso é necessário agir e a chave está no território», afirmou ainda, acrescentando que os incêndios rurais exigem «um trabalho coletivo de toda a sociedade».

Reduzir área ardida para metade

O Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais tem como principal objetivo a redução para metade da área ardida até 2030 e aumentar em 30% o sequestro de sumidouro de CO2.

Para isto, tem como grandes orientações estratégicas a valorização dos espaços rurais e a reconstrução da paisagem, preconizando a modificação dos comportamentos e a gestão eficiente do risco de incêndio.

Com um orçamento global superior a 6 000 milhões de euros, o plano prevê direcionar 60% do investimento para a prevenção e 40% para o combate.

O Plano prevê que em 2030 tenham sido limpos 1,2 milhões de hectares de floresta, correspondentes a 20% dos seis milhões de hectares que existem no território com risco de incêndio. 

As metas a atingir preveem ainda que dentro de 10 anos as áreas ardidas com mais de 500 hectares estejam totalmente geridas e com planos de recuperação executados, e que existam menos de 80% das ignições nos dias de risco de incêndio.

No período de discussão pública, foram realizadas mais de 75 sessões, nas quais participaram cerca de duas mil pessoas, e a Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais (Agif) recebeu 115 contributos.

Até ao final de 2020, a Agif elaborará o plano próprio para cada região, uma vez que as características da floresta e da vegetação mudam entre elas.

No seminário de encerramento da discussão pública do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, estiveram ainda presentes o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que abriu os trabalhos, e o Ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, que também interveio no encerramento.