O Primeiro-Ministro reiterou o profundo pesar e as condolências às famílias das vítimas diretas e indiretas da situação meteorológica extrema que atingiu o país, manifestando solidariedade para com os milhares de portugueses afetados.
Alertando que "nas próximas horas muitos vão continuar a enfrentar situações de extrema dificuldade", Luís Montenegro deixou um apelo claro à população: "sigam as recomendações das autoridades — os riscos não devem ser desvalorizados".
Governo mobiliza meios para responder à emergência
O Primeiro-Ministro fez estas declarações na sequência da reunião do Conselho de Ministros, que decorreu em Lisboa, no dia 5 de fevereiro. Nesta ocasião, o
Conselho de Ministros aprovou um conjunto de medidas para acelerar a recuperação das áreas atingidas pelas sucessivas tempestades e decidiu prolongar a situação de calamidade até 15 de fevereiro.
O Governo aprovou ainda um regime temporário e excecional para agilizar os processos e decisões relativos às obras urgentes de reparação e reconstrução nas regiões afetadas, eliminando o controlo administrativo prévio.
"Nunca o Estado respondeu com esta rapidez e (…) estamos mesmo a esgotar todas as nossas possibilidades para decidir rapidamente e poder acorrer às necessidades", afirmou o Primeiro-Ministro.
Mais proximidade e apoio às populações
O chefe do Governo destacou a necessidade de reforçar a simplicidade, a proximidade e o apoio físico aos cidadãos afetados, nomeadamente na preparação dos pedidos de acesso aos
apoios disponíveis, que podem ser apresentados na internet.
A partir de 6 de fevereiro, 275 Lojas e Espaços do Cidadão estarão operacionais nos 68 concelhos abrangidos pelo estado de calamidade. A estes espaços juntam-se, a partir do mesmo dia, as primeiras 12 unidades móveis com Espaço Cidadão e internet móvel, assegurando apoio nas zonas mais remotas.
Pacote de 2,5 mil milhões já no terreno
Do pacote global de 2,5 mil milhões de euros anunciado a 1 de fevereiro, já estão a ser pagos os apoios à reconstrução de habitações, enquanto o apoio de urgência ao rendimento das famílias começará a ser pago até 9 de fevereiro.
O Primeiro-Ministro anunciou também que o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) se juntará à Estrutura de Missão criada para coordenar as ações de apoio e reconstrução, iniciando a recolha das necessidades de mão-de-obra junto das empresas de construção civil e das autarquias locais.
O IEFP utilizará a sua rede para recrutar trabalhadores em Portugal e funcionará como canal para a migração laboral regulada, permitindo colocar rapidamente mão-de-obra nas regiões mais atingidas.
Luís Montenegro manifestou ainda a disponibilidade do Governo para suspender algumas obras públicas sob a sua responsabilidade, caso empresas e trabalhadores possam ser mobilizados para apoiar a recuperação das localidades afetadas.
Apelo à responsabilidade e à segurança
O Primeiro-Ministro reiterou o "profundo pesar e as sentidas condolências" do Governo às famílias das vítimas e expressou "uma palavra de esperança e conforto aos milhares de portugueses que foram e estão a ser afetados por esta catástrofe natural".
Perante um cenário de chuva sem precedentes e elevado risco de cheias, reforçou "um apelo muito, muito determinado para que nestas horas, que são fundamentais, todos sigam as recomendações das autoridades".
Além do prolongamento da situação de calamidade, o Governo decretou a situação de contingência nas zonas com maior risco de inundações, garantindo a continuidade da mobilização de todos os meios da proteção civil, bombeiros, militares, forças de segurança, serviços de saúde, segurança social, apoio psicológico, sapadores florestais e autarquias locais.
"Só juntos, com todo o contributo (…) de todas estas entidades, e também de muitas pessoas e voluntários, é possível enfrentar uma adversidade como aquela que temos pela frente", declarou.
Medidas excecionais para acelerar a reconstrução
Entre as medidas aprovadas destacam-se:
Contratação pública
- Ajustes diretos excecionalmente simplificados
- Regime excecional de autorização de despesa até 20 milhões de euros
- Valores superiores tacitamente deferidos após 10 dias
- Assunção de compromissos em cinco dias úteis em caso de perigo para pessoas e bens
- Simplificação de processos administrativos
Urbanismo
- Isenção de licença urbanística, incluindo ocupação de espaço público
- Isenção de licenciamento para construção imediata
Ambiente
- Isenção de avaliação de impacte ambiental para reconstituição de infraestruturas em condições idênticas
Florestas
- Possibilidade de intervenção do ICNF em propriedade privada na ausência de limpeza pelo proprietário
Intervenções em domínio público
- Possibilidade de intervenções urgentes
Expropriações
- Autorização de posse administrativa imediata em situações de extrema urgência
Património cultural
- Isenção de autorização para obras de reconstrução em bens classificados e respetivas zonas de proteção
Remoção de resíduos e estruturas danificadas
- Suspensão temporária da autorização prévia para trabalhos de demolição
Prazos de obras públicas
- Suspensão de prazos para obras cujos meios sejam alocados à reconstrução
Certidões e matrículas
- Isenção de emolumentos para certidões associadas a candidaturas a apoios
- Isenção para emissão de segunda via de certificados de matrícula
Justiça
- Suspensão de prazos judiciais, exceto processos urgentes
Isenção de portagens
- A8: entre Valado de Frades e Leiria Nascente
- A17: entre o nó da A8 e Mira
- A14: entre Santa Eulália e Ançã
- A19: entre Azóia e São Jorge
Mais informação sobre os apoios e os procedimentos de candidatura pode ser consultada nos sites das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional:
CCDR Centro e
CCDR Lisboa e Vale do Tejo, onde se encontram disponíveis as orientações para cidadãos, empresas e agricultores afetados.