No 40.º aniversário da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades Europeias, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, afirmou que a integração europeia alterou de forma irreversível o rumo do país, permitindo uma profunda transformação económica, social e democrática.
"Portugal percorreu um dos mais notáveis trajetos de desenvolvimento da Europa contemporânea. Um percurso que se mede na melhoria efetiva da qualidade de vida, nas oportunidades criadas, nos horizontes alargados", declarou o Primeiro-Ministro na cerimónia comemorativa, realizada no Mosteiro dos Jerónimos.
Luís Montenegro sublinhou que a adesão à União Europeia foi uma aposta estratégica e um destino coletivo: "A adesão representou uma aposta estratégica para acelerar o desenvolvimento económico e consolidar a nossa democracia, mas também a confirmação de Portugal como parte integrante de uma Europa democrática, desenvolvida e solidária."
Compromisso com o futuro europeu
No seu discurso, o Primeiro-Ministro reforçou a importância de uma Europa competitiva e coesa, que responda às aspirações dos cidadãos: "Os nossos cidadãos exigem uma Europa competitiva, que promova a coesão e a convergência do desenvolvimento económico em benefícios para todos. Uma Europa que permita a cada cidadão cumprir o seu projeto de vida com igualdade de condições e oportunidades."
Apontando os desafios que se colocam à construção europeia, Luís Montenegro destacou o combate ao populismo e extremismo como essencial para a defesa da democracia: "Um dos mais sérios desafios que enfrentamos é o crescimento de populismos e extremismos, uma ameaça direta ao funcionamento das nossas instituições democráticas e à coesão das nossas sociedades."
Referiu ainda problemas estruturais como as desigualdades territoriais, os desafios demográficos, a habitação e a valorização dos rendimentos, alertando para a necessidade de "coragem política, visão estratégica e compromisso renovado com o projeto europeu".
Europa como projeto de cooperação e paz
Luís Montenegro reconheceu que, ao longo dos 40 anos, nem todas as oportunidades foram plenamente aproveitadas, mas sublinhou o orgulho no percurso feito: "A União Europeia não é perfeita, é um projeto em permanente construção e adaptação às mudanças no mundo. Mas continua a ser o mais ambicioso e bem-sucedido projeto de cooperação entre nações."
O Primeiro-Ministro destacou ainda o papel ativo de Portugal no reforço da Europa: "Portugal beneficia do projeto europeu, mas também o reforça todos os dias, através da sua diplomacia, da sua história, do seu humanismo e da sua capacidade de diálogo."
Cerimónia nos Jerónimos
A sessão decorreu no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o mesmo local onde foi assinado o Tratado de Adesão em 1985. Para além do Primeiro-Ministro, intervieram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o antigo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
O evento contou ainda com a presença de antigos ministros, eurodeputados, representantes dos partidos políticos e outros convidados, tendo incluído momentos culturais com fado e cante alentejano.