O Plano Nacional de Centros de Dados afirma a capacidade computacional como um ativo estratégico central para reforçar a soberania digital e impulsionar a competitividade económica de Portugal. O país apresenta um conjunto sólido de condições estruturais — nomeadamente ao nível da energia, da conectividade e da disponibilidade territorial — que o posicionam favoravelmente para captar investimento e acelerar o desenvolvimento do setor. Embora o mercado ainda se encontre em fase de consolidação, com margem para crescimento face à média da União Europeia e à presença de grandes operadores internacionais, este contexto representa uma oportunidade clara para estruturar um ecossistema mais robusto, eficiente e competitivo, suportado por uma agenda de simplificação regulatória, coordenação institucional e reforço das infraestruturas críticas.
Neste contexto, abre-se uma oportunidade estratégica relevante. A procura global por centros de dados está a crescer de forma acelerada, impulsionada pela expansão da Inteligência Artificial, com taxas na ordem dos 20% ao ano. Em Portugal, o crescimento estimado é ainda mais expressivo, atingindo cerca de 41% ao ano — aproximadamente o dobro da média europeia. Simultaneamente, os mercados europeus tradicionais enfrentam limitações que poderão desviar investimento para geografias alternativas, como Portugal. Trata-se, contudo, de uma janela de oportunidade limitada, que exige uma resposta célere e coordenada.
O impacto económico potencial é significativo. Por cada gigawatt adicional de capacidade instalada, estima-se um investimento inicial de cerca de 8 mil milhões de euros ao longo de cinco anos, gerando posteriormente cerca de 16 mil milhões de euros anuais em operação — o equivalente a 5% a 6% do PIB. A isto acrescem aproximadamente 3.300 empregos diretos e um impacto positivo de cerca de 8 mil milhões de euros na balança comercial.
O objetivo do plano é posicionar Portugal como um hub europeu de centros de dados, assegurando simultaneamente a soberania digital, a atração de investimento estrangeiro e a sustentabilidade ambiental e energética.
Para concretizar esta ambição, o plano define 15 iniciativas a implementar entre 2026 e 2027, organizadas em quatro eixos principais. No domínio da regulação e governação, destaca-se a criação de um ponto único para investidores através da AICEP, a revisão dos processos de licenciamento, a monitorização contínua dos procedimentos e a harmonização de critérios com reforço técnico das entidades envolvidas. Ao nível da energia e infraestrutura, prevê-se a identificação e desenvolvimento de zonas pré-instaladas, a integração com a rede elétrica e fontes renováveis, a promoção da eficiência energética e o fortalecimento da cadeia de valor nacional. No eixo da procura e posicionamento, inclui-se a centralização da procura pública através de uma estratégia de cloud soberana, o reforço da atração de investimento internacional, a criação de um portal único para investidores e a possibilidade de participação estratégica do Estado. Por fim, no eixo do território e ecossistema, o plano contempla benefícios para as comunidades locais, o desenvolvimento de hubs tecnológicos e académicos e a salvaguarda do uso futuro das infraestruturas.
Com este plano, Portugal posiciona-se para captar uma nova vaga de investimento tecnológico, afirmando-se como um ator relevante na economia digital europeia.
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