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Comunicados

2026-02-23 às 16h10

Crescimento do salário médio supera previsões do Governo

A remuneração bruta mensal média por trabalhador alcançou os 1.694 euros em 2025, um crescimento de 5,6%, acima dos 4,7% previstos em acordo com os parceiros sociais.

O rácio entre o salário médio e o mínimo dá os primeiros sinais de estabilização, após um longo período de compressão acelerada da grelha salarial, entre 2015 e 2023.

"Para o salário médio continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade", afirmou a MTSSS.

A remuneração bruta total mensal média por trabalhador subiu acima das metas estabelecidas no ‘Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028’’, alcançando 1.694 euros em 2025, um crescimento de 5,6% — acima da meta de 4,7% prevista. Trata-se de um acréscimo de 39 euros mensais e de 0,9 pontos percentuais face ao objetivo traçado. 

 O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) sublinha que estes resultados refletem uma mudança de paradigma na economia portuguesa, sustentada em três eixos fundamentais: 
1. Após um longo período de compressão acelerada da grelha salarial — entre 2015 e 2023 — o rácio entre o salário médio e o mínimo dá os primeiros sinais de estabilização. Este impulso deve-se à nova direção do ‘Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028’, assinado a 1 de outubro de 2024 por Governo e Parceiros Sociais, assim como à valorização salarial negociada para diversos grupos profissionais.

2. O crescimento salarial foi liderado pelo setor privado de bens e serviços transacionáveis, com uma subida de 6,3%. Este diferencial demonstra que o tecido empresarial, em particular os setores exportadores da economia portuguesa, está a mobilizar os instrumentos criados pelo Executivo, nomeadamente: a isenção de IRS e TSU sobre prémios de produtividade até ao limite de 6% da remuneração base anual; e a majoração do benefício fiscal em sede de IRC para aumentos salariais iguais ou superiores a 4,6%, aplicada de forma transversal e sem o anterior espartilho do leque salarial.

3. A política de rendimentos permitiu que o aumento nominal se traduzisse num ganho real de poder de compra de 3,2% para as famílias. Este dado consolida a trajetória iniciada em 2024, ano em que Portugal registou o maior aumento real de rendimentos no contexto da OCDE (‘OECD Employment Outlook 2024’). 

Apesar destes indicadores positivos, a produtividade por hora de trabalho em Portugal situa-se ainda 28% abaixo da média da União Europeia, e os salários 35% abaixo do mesmo referencial. "Para o salário médio continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade", afirmou a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.