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2020-03-03 às 12h08

«Vamos garantir proteção social a todos» no processo de transição para a sociedade digital

Primeiro-Ministro António Costa e Ministros Siza Vieira e Manuel Heitor na conferência da Iniciativa Nacional Competências Digitais, Porto, 3 março 2020 (foto: Paulo Vaz Henriques)
«Vamos garantir proteção social a todos» no processo de transição para a sociedade digital, disse o Primeiro-Ministro António Costa na abertura da 3.ª Conferência do Fórum Permanente da Iniciativa Nacional Competências Digitais (INCoDe.2030), no Porto. 

Se Portugal quer «vencer este desafio» da transição para uma sociedade digital, não pode fazê-lo «com os que estão hoje na linha da frente, deixando todos os outros para trás».

O Primeiro-Ministro afirmou que o Plano de Ação para a Transição Digital, que o Governo apresenta no dia 5 de março, tem de centrar-se nos jovens, «mas também nos que já estão no mercado de trabalho e naqueles que, tendo saído do mercado, não podem ficar excluídos porque devem poder envelhecer com qualidade».

António Costa acrescentou que «a gestão desta transição é absolutamente essencial para a garantir coesão social», pois «esta nova sociedade digital vai ter impacto na reorganização do trabalho e vai ser importante para conciliar a vida profissional e familiar». 

O Conselho de Ministros aprovará esta semana o Programa de Ação para a Transição Digital, destinado a «enfrentar desafios que exigem respostas concretas para assegurar a maior capacitação digital da população, a transformação digital das empresas, e a consolidação da digitalização do Estado», disse.

Assim, até 2024, é objetivo do Governo avançar «na digitalização das escolas de ensino básico e secundário», «na reconversão de 3 000 trabalhadores e profissionais das áreas de tecnologias da informações e comunicações», «na capacitação digital das pequenas e médias empresas do interior», e «na inclusão digital de um milhão de adultos».

Combater as desigualdades

A transição para a sociedade digital vai também «ser importante para combater desigualdades», mas, ao mesmo tempo, «essa é também uma das maiores ameaças: que a exclusão digital agrave as desigualdades», disse.

Neste «esforço enorme que vamos ter de fazer», as competências básicas digitais devem estar «disseminadas em toda a sociedade, em todo o território e em todas as gerações», caso contrário o País arrisca-se «a ficar para trás».

Este processo deve ser enfrentado «de forma articulada e conjunta, mobilizando as áreas da educação, do trabalho, da modernização da administração e da economia», referiu.

O Primeiro-Ministro disse também que a transição digital é «uma mais valia para enfrentar» os desafios das alterações climáticas, das dinâmicas demográficas e do combate às desigualdades – os quatro grandes eixos que articulam o Programa do Governo. 

Colocar as tecnologias ao serviço de toda a população

«Nós não conseguimos sequer imaginar como vai ser a vida em sociedade, como vai ser a relação entre o mundo físico e o mundo digital, como vamos viver, trabalhar, articular», daqui a dez anos, com a aceleração da mudança tecnológica, disse o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, na abertura da conferência da Iniciativa Nacional Competências Digitais (INCoDe.2030).

«Sabemos que os que foram capazes de identificar as possibilidades das tecnologias digitais, colocá-las ao serviço de toda a população» vão alcançar «um estado de prosperidade muito elevado», disse, acrescentando que os outros «vão ficar mesmo para trás».

A transformação digital das sociedades e das economias, é, talvez, o mais importante desafio que os países enfrentam», sendo por isso «um dos quatro desafios estratégicos identificados no Programa do Governo».  

Estado social forte

Portugal é «um dos países da Europa em que mais pessoas nunca utilizaram a internet», pelo que «temos de fazer um esforço muito grande de inclusão», porque «não há verdadeira sociedade e economia digital se a população toda não participar» nela.

O Ministro destacou a importância de capacitar os atuais e os futuros trabalhadores, bem como as empresas, o sistema científico e a Administração Pública, referindo que «os serviços públicos digitais são uma das áreas em que Portugal se destaca».

«Uma sociedade digital precisa de um Estado social forte», que «ofereça a todos a possibilidade de participarem de uma forma justa nas oportunidades criadas pelas novas tecnologias», afirmou ainda Pedro Siza Vieira, que apresentou as novas metas do programa.

Na conferência, que decorre ao longo de todo o dia, participam ainda o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, os Secretários de Estado da Transição Digital, André de Aragão Azevedo, Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Cabrita, e da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, sendo encerrado pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

Iniciativa Nacional de Competências Digitais

A Conferência do Fórum Permanente para as Competências Digitais tem como principal objetivo dar a conhecer novos projetos e novas ideias que promovam as competências digitais para uma cidadania ativa, no âmbito dos seus 5 eixos de atuação: inclusão, educação, qualificação, especialização e investigação. 

A Iniciativa Nacional de Competências Digitais (INCoDe.2030) pretende promover o desenvolvimento digital, procurando ainda integrar conhecimentos que solucionem problemas que envolvam as redes de comunicação, a utilização da inteligência artificial, e o desenvolvimento de sistemas ciberfísicos.