Saltar para conteúdo

Notícias

2020-05-28 às 19h51

Respostas à pandemia devem ter também uma dimensão social

A Ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que as respostas à crise gerada pela pandemia de Covid-19 têm de ir para além do combate à infeção e ter também uma dimensão social, no discurso de encerramento da interpelação ao Governo na Assembleia da República sobre a resposta do estado social à pandemia.

«Enquanto não surgir um tratamento ou uma vacina os riscos de uma segunda onda permanecem, mas assistimos hoje a focos de doença que nos mostram claramente a todos que, as respostas de que precisamos, vão para além da infeção SARS-Cov-2», disse Marta Temido.

«Sem surpresa, a evidência dos resultados desta crise sem precedentes revela que o impacto sanitário económico e social do novo coronavírus se distribui assimetricamente na população afetando em especial os mais vulneráveis», afirmou, acrescentando que «os que se encontram mais expostos são como sempre os que vivem e trabalham em condições mais precárias».

Marta Temido referiu que os mais idosos são também aqueles que enfrentam maior risco de doença grave.

«Matriz universal» do SNS

Apesar de ainda ser cedo para se fazer uma avaliação do desempenho dos diferentes modelos de sistema de saúde na resposta à Covid-19, a Ministra disse que «há características do sistema de saúde português e da responsabilidade constitucional do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que seguramente não serão neutras na história que um dia se escreverá».

Entre essas características está a «matriz universal» do SNS - reforçada pela nova Lei de Bases de saúde - e que garante que todos os cidadãos residentes em Portugal, requerentes de proteção internacional e imigrantes legalizados (ou não) tenham acesso à rede pública de serviços de saúde.

«A capacidade que Portugal tem tido de responder à pandemia não é obra do acaso, resulta de escolhas políticas, de políticas concretas adotadas nos últimos cinco anos em particular no Serviço Nacional de Saúde, na escola pública, no emprego, na proteção do trabalho e na redistribuição de rendimentos», acrescentou.

Marta Temido disse também que «a defesa do Estado Social é uma escolha política», mas que se deve «evitar a todo o custo o risco de apenas compreender a sua relevância num contexto de emergência sanitária».

Estado «pode orgulhar-se» do caminho feito até aqui

Para a Ministra há ainda «muito caminho a fazer», muito que melhorar, muitas respostas para dar, mas o Estado pode orgulhar-se do caminho levado até aqui e, sobretudo, do que caminho que tem de continuar a perseguir.

«Não rescrevemos as nossas preocupações, elas estão nos cuidados de saúde primários», na integração de cuidados e na resposta em tempos de espera adequados «e com a humanização adequada num Estado Social» que «é um guarda chuva social que nos protege a todos sobretudo quando mais dele precisamos e é isso que os portugueses lá fora sabem e não esquecem», disse Marta Temido.

Até agora, houve 318 mil casos suspeitos, mais de 31 mil confirmados e 1.368 mortos, mas mais de 18 mil doentes recuperaram. «Ao longo deste período os portugueses e todos aqueles que se encontravam no país puderam contar com o Serviço Nacional de Saúde», concluiu.