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Notícias

2020-09-30 às 12h43

«Queremos que o porto de Sines permita industrializar Portugal»

Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, na apresentação do Plano Estratégico da Administração do Porto de Sines 2020-2025, Sines, 30 setembro 2020
O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou que o porto de Sines deve permitir a industrialização de Portugal e se queremos «melhores salários temos de graduar o tecido produtivo».

O Ministro falava na sessão de apresentação do Plano Estratégico da Administração do Porto de Sines 2020-2025, em Sines, onde se referiu ao Estado como «um parceiro fundamental» sobretudo numa altura em que «os investidores privados, perante a situação que hoje se vive no mundo, retraem o seu investimento».

«O que queremos em Sines é indústria. Queremos que Sines possa ter mais gente e ser um polo de desenvolvimento da região do Alentejo» disse ainda. 

Pedro Nuno Santos referiu também que, para o Governo português, «o porto de Sines continua a ser uma prioridade e pode ter um papel importante neste novo mundo mais limpo, mais solidário e, já agora, num País mais desenvolvido que nós queremos continuar a apostar».

Porto de Sines é um excelente exemplo de «investimento público»

O Ministro começou a sua intervenção dizendo que «o porto de Sines é um excelente exemplo de que o Estado e o País fazem apostas certas e importantes» e «um excelente exemplo da importância do investimento público, para a recuperação e para o desenvolvimento do País». 

Para o Ministro, o porto de Sines foi uma aposta pública «que correu bem» porque «permitiu em pouco tempo termos um porto novo mas que já é, hoje, o maior do País e um dos principais portos da União Europeia e Península Ibérica»

«Que esse investimento sirva para nos mudarmos a forma como nós vivemos, como nós nos relacionamos e como a nossa economia funciona», afirmou Pedro Nuno Santos, referindo ainda a importância do porto de Sines para os desafios «da descarbonização, da digitalização e da industrialização».

O Plano

O Plano Estratégico do porto de Sines, agora apresentado, foi realizado pelo Centro de Estudos em Gestão e Economia Aplicada (CEGEA), da Universidade Católica do Porto. 

O documento assenta em três eixos estratégicos: garantia de conetividade física (interna e externa); ambição de gestão da rede (ou parte) de transportes; e compromisso firme com a sustentabilidade.

O plano refere-se ao período de 2020-2030 e, para cada um daqueles três eixos estratégicos, define três metas específicas:

- alcançar uma quota de 3% no total das cargas ibéricas associadas ao comércio externo (importação/ exportação), excluindo os produtos do segmento energético e as operações de transhipment propriamente ditas.

- Assegurar que a expansão de novas atividades económicas da Zona Industrial e Logística de Sines e da zona de atividades logísticas contribuam com mais 40% para os movimentos do porto, face à situação atual (1,27 milhões toneladas), excluindo o segmento energético.

- registar uma classificação média de 8 no índice de satisfação dos stakeholders, nos atributos de «conetividade interna», «custo/ preço» e hinterland.

Programas Operacionais

O Plano Estratégico inclui ainda oito programas operacionais que sintetizam as ações a levar a cabo, funcionando como mapa orientador:

1. Mapeamento de Corredores e Plataformas Logísticas
2. Atração de Carregadores Ibéricos
3. Atração de Investidores para ZILS e ZAL
4. Sustentabilidade Ambiental
5. Reforço de Competência Governativas da APS 
6. Reorganização Interna e Incentivos
7. Digitalização da Logística Portuária
8. Garantia de Receita e Rentabilidade

Maior abertura à comunidade

O Plano Está ainda focado numa maior abertura à comunidade externa e numa maior vocação comercial para que o porto possa penetrar mais eficazmente no interior ibérico. Requer também um esforço de investimento em capital intangível, com especial destaque para os sistemas de informação, o business intelligence e a qualificação dos recursos humanos. 

Assume também que o desenvolvimento futuro de Sines passa por uma reconfiguração das suas competências, alargando a proposta de valor e a sua esfera de intervenção, bem como um papel mais ativo na expansão do seu próprio mercado e na criação de novas oportunidades de captação de carga, traduzidas em maior volume de movimentos portuários.

Recorde que, em 2018, o contributo direto da Administração do Porto de Sines para o PIB – medido pelo VAB – ascendeu a 40 milhões de euros, a que correspondem remunerações do trabalho (10,6 milhões de euros) e do capital (27,4 milhões de euros).

Terminal Vasco da Gama

Relativamente ao concurso para a construção e concessão do futuro Terminal Vasco da Gama - cujo investimento total será de  642 M€ - encontra-se em fase de apresentação de propostas até 6 de abril de 2021.

O terminal passará assim a ter uma capacidade de movimentação anual de 3,5 milhões de TEU e um cais com um comprimento de 1.375 metros com 3 posições de acostagem simultânea dos maiores navios do mundo. Haverá ainda uma área de terrapleno de 46 hectares, 15 pórticos de cais e fundos de -17,5 m ZH.

Os trabalhos no terreno decorrerão durante três anos.