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Notícias

2021-07-20 às 12h11

Primeiro trimestre de 2021 com o maior quantitativo de investimento privado

Assinatura de quatro contratos de investimento de 140 milhões de euros
Primeiro-Ministro António Costa e Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, com dirigentes das empresas que assinaram os contratos de investimento, Lisboa, 20 julho 2021
O Estado e quatro grupos privados assinaram contratos de investimento no valor de 141 milhões de euros. O Primeiro-Ministro António Costa destacou que «no primeiro trimestre de 2021, tivemos o melhor trimestre de sempre de investimento empresarial em Portugal, desde que esta série existe, desde 1999».

O Primeiro-Ministro acrescentou que «em 2021, os contratos de investimento apoiados pela AICEP já são 92% do valor do melhor ano de sempre, que foi 2019, e ainda estamos em julho, havendo a oportunidade de batermos o recorde», a agradeceu aos investidores o fazerem-no neste momento, o que lhe permite afirmar que «um sinal claro de confiança no futuro da nossa economia».

Os investimentos contratados pela Agência para Investimento e o Comércio Externo de Portugal (AICEP) em nome do Estado vão criar 500 novos empregos, manter 1600 postos de trabalho já existentes e aumentar as exportações da economia verde nacional.

Crescimento de 9% em dois anos

«As previsões são de que, entre 2021 e 2022, a nossa economia cresça 9%», disse o Primeiro-Ministro, referindo que «temos já em execução os investimentos que assegurarão este crescimento sustentado da economia nos próximos anos, a manutenção dos postos de trabalho e a criação de novos para absorver o desemprego gerado pela crise».

Dos quatro investimentos, um é no turismo (dois novos hotéis no interior) e três são na indústria (equipamentos para produção de energias renováveis, para motores híbridos ou elétricos, e para melhoria da eficiência energética dos edifícios), tendo António Costa afirmando que todos eles «ilustram a importância de termos eleito a economia verde como motor do crescimento». A economia verde e a transição digital são os motores eleitos pela União Europeia e por Portugal para a recuperação da economia.

O Primeiro-Ministro sublinhou que «Portugal tem hoje uma nova ferramenta para apoiar o investimento privado, o Banco de Fomento, e dispõe do maior conjunto de fundos comunitários de que o País alguma vez dispôs», apontando o Portugal 2020, o Portugal 2030 e o Plano de Recuperação e Resiliência».

O PRR «tem, de encomendas às empresas, 11 mil milhões de euros, de apoio direto às empresas, mais de quatro mil milhões (para a descarbonização, a transição digital e as alianças para a modernização e reindustrialização), e tem ainda apoios indiretos pelos investimentos na qualificação dos recursos humanos, no combate a burocracia, e na dotação de infraestruturas para a melhoria da competitividade».

Crise 

António Costa lembrou que «a economia portuguesa levou muitos aos a ajustar-se ao choque competitivo que sofreu no início deste século», só tendo retomado uma trajetória de convergência com a União Europeia em 2017, crescendo acima da média desta.

«Esta recuperação deveu-se sobretudo a investimento na produção de talento - Portugal faz hoje parte, com a Dinamarca e a Alemanha do top 3 em engenheiros», tem «uma incorporação muito significativa de tecnologia no tecido empresarial» e está «no top 5 dos países mais seguros do mundo», disse, acrescentando que «estes têm sido fatores determinantes para a atração de investimento direto estrangeiro». 

O Primeiro-Ministro lembrou também que «a crise provocada pela pandemia em 2020 tem raízes conjunturais e não estruturais, o que explica que, apesar dela, a AICEP tenha celebrado 35 contratos de investimento novos». «O melhor sinal de que os investidores compreendem a natureza conjuntural da crise» é o investimento no turismo, porque «passada a crise da pandemia, tudo o que fez de Portugal, por três anos consecutivos, o melhor destino turístico, continua a existir».

«Os outros investidores, investem porque sabem que a capacidade competitiva do País tem continuado a aumentar», de tal modo que «em 2020 tivemos um crescimento muito significativo nas exportações de bens», afirmou. 

Mais de mil milhões em 2021

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, referiu que «em 2019 tínhamos atingido o melhor nível de investimento estrangeiro, captado pela AICEP, com mais de 1100 milhões de euros em contratos de investimento produtivo e com componente tecnológica importante». 

«Em 2020, houve uma boa resistência do investimento à crise económica provocada pela pandemia, tendo Portugal entrado no quadro dos 10 países europeus mais favoráveis ao investimento estrangeiro», disse. 

Santos Silva sublinhou que «em 2021, no primeiro semestre, nota-se um forte aumento da capacidade de atração de investimento, tendo sido aprovados apoios para investimentos superiores a 1000 milhões de euros», afirmando que «queremos fazer de 2021 o melhor ano de sempre da AICEP na captação de investimento».

O Ministro acrescentou que «queremos fazê-lo com forte presença de capitais da União Europeia», com «forte diversificação do investimento de fora da UE»; com «uma cada vez maior presença da diáspora»; e em «investimento produtivo e direcionado aos objetivos estratégicos de transformação da economia, no sentido mais sustentável e utilizando plenamente as tecnologias digitais». 

Investimentos

Os quatro contratos fiscais de apoio ao investimento de 140 milhões de euros vão criar 500 novos postos de trabalho e ajudar a manter mais de 1600. Os três investimentos industriais (componentes para automóveis, estruturas metálicas, equipamento para produção de energias renováveis) têm impacto nas exportações de bens. O de turismo (duas novas unidades hoteleiras), tem impacto nas exportações de serviços. 

A Vila Galé vai investir 16,4 milhões para construir dois novos hotéis em Manteigas e em Alter do Chão, sem desperdício de plástico. Serão criados 71 novos empregos.

A João de Deus e Filhos vai investir 40,7 milhões na sua fábrica de Samora Correia, Benavente, com a construção de duas novas linhas de produção de componentes para baterias elétricas e híbridas e de uma nova gama de intercoolers. Serão criados 100 novos empregos a juntar aos 300 que são mantidos.

A empresa Tryba, que resulta de uma parceria de uma empresa francesa com duas empresas portuguesas, vai investir 49,3 milhões para instalar uma fábrica de vanguarda para produção de janelas e portas em alumínio e pvc, com tecnologia inovadora. Trata-se do primeiro investimento desta empresa em Portugal e cria 212 novos postos de trabalho.

A Siemens Gamesa vai investir 34,9 aumenta a capacidade da sua fábrica de com a instalação de seis novas linhas de produção para fabrico de novos modelos de pás eólicas para aerogeradores e aplicação de novas tecnologias de produção. Serão criados 100 novos empregos e mantidos 700.