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Notícias

2019-12-03 às 9h41

Portugal acima da média da OCDE em conhecimentos de literatura, ciências e matemática

Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na apresentação dos resultados do PISA, Lisboa, 3 dezembro 2019 ( Foto: João Bica)
A OCDE apresentou os resultados do Programme for International Students Assessment (PISA), que visa avaliar, a cada três anos, os conhecimentos dos alunos de 15 anos em matemática, leitura e ciências, bem como as suas competências para mobilizar os mesmos na resolução de problemas do dia-a-dia nas sociedades contemporâneas. 
 
A edição do PISA para 2018 avaliou, pela terceira vez, a literacia de leitura como domínio principal. O estudo envolveu 79 países e economias no mundo, num total de 600 mil alunos. Em Portugal participaram 276 escolas, 5932 alunos e 5452 professores, de todas as regiões do País.
 
No domínio principal - o da leitura - Portugal obteve uma pontuação média de 492 pontos, cinco pontos acima da média da OCDE (487 pontos). Considerando os dois ciclos em que a leitura foi domínio principal, o resultado nacional alcançado em 2018 ficou significativamente acima da média obtida em 2000 (mais 22 pontos) e três pontos acima da média de 2009. 
 
Em ciências, Portugal obteve 492 pontos, três pontos acima da média da OCDE (489 pontos). Na leitura comparada com os resultados de ciclos anteriores observou-se um decréscimo da pontuação média relativamente ao ciclo de 2015 (uma diferença de 9 pontos). Este resultado acompanha a tendência decrescente da pontuação média da OCDE na avaliação das ciências.
 
Em literacia matemática, Portugal obteve 492 pontos no ciclo de 2018, três pontos acima da média da OCDE (489 pontos). Comparando os resultados alcançados em 2018 com os de ciclos anteriores, em que a matemática foi o domínio principal avaliado, verifica-se um aumento de 26 pontos relativamente a 2003 e de 5 pontos relativamente a 2012. Entre o ciclo de 2015 e o de 2018, a pontuação média em matemática não se alterou significativamente.
 
A avaliação do PISA também recolhe informação cuja finalidade é a contextualização dos resultados de desempenho dos alunos. Uma das dimensões de contextualização considerada no PISA é a da equidade da educação.
 
Índice do estatuto socioeconómico e cultural
 
Um dos índices utilizados no estudo é o Estatuto Socioeconómico e Cultural (ESCS). Em Portugal, a probabilidade de um aluno de entre os 25% mais desfavorecidos obter uma pontuação abaixo do nível 2 de proficiência é, aproximadamente, três vezes maior do que a de um aluno com estatuto socioeconómico superior obter essa pontuação. O efeito do estatuto socioeconómico e cultural no desempenho em leitura é maior em Portugal do que no conjunto dos países da OCDE.
 
A diferença da pontuação em leitura entre os alunos portugueses mais favorecidos e os menos favorecidos é de 95 pontos, sendo que 13,5% da variação dos resultados pode ser explicada pelo ESCS dos alunos (valor semelhante ao obtido na OCDE - 12%).
 
Numa primeira análise dos resultados, destaca-se o facto de o sistema educativo português ser o único da OCDE que apresenta melhorias significativas em leitura, matemática e ciências, desde a 1ª edição do PISA, no ano 2000.
 
Políticas de educação
 
Na conferência de imprensa para a apresentação dos resultados do PISA, em Lisboa, o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, referiu o estudo do professor Domingos Fernandes, que atribui «o ciclo longo de melhoria dos resultados de Portugal» ao «conjunto de políticas estruturantes, com largo alcance e longevidade». 
 
«Foi a essa linha de trabalho a que regressámos, a partir de 2015, de forma paulatina para não criar rupturas no sistema e que, estamos certos, não deixará de ter efeitos mais significativos nas próximas edições do PISA», disse o Ministro.
 
Tiago Brandão Rodrigues relembrou ainda que «a geração que realizou esta prova, em 2018, iniciou o percurso no 1º ciclo, em 2007/2008», tendo sido, portanto, «a mais afetada pela crise económica e por algumas mudanças bruscas de políticas no campo educativo».
 
Apesar dos bons resultados, o Ministro disse que há ainda muito a fazer no campo das ciências e da leitura, bem como «melhorar a equidade, pois o estatuto económico dos pais ainda é um prescritor de sucesso escolar maior em Portugal do que noutros países».

O Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, por sua vez, disse que estes indicadores «a par de muitos outros, permitem contrariar a expressão: no antigamente é que era bom».  «Temos um sistema educativo que tem vindo a fazer uma progressão continuada e sustentada», acrescentou.
 
O aumento e a melhoria da coesão é outro dos pontos referidos por Tiago Brandão Rodrigues durante a conferência de imprensa, uma vez que persistem, ainda, diferenças regionais nas aprendizagens.
 
Programa do Governo
 
Antes de terminar, o Ministro disse que conta com a comunidade educativa para seguir o caminho de uma escola de qualidade em todo o território; para promover a inovação pedagógica assente numa lógica de docência mais interativa e menos expositiva; para fazer coexistir instrumentos de avaliação mais profundos e diversos; para adiar e reduzir a segmentação de percursos escolares e fomentar a sua permeabilidade; para universalizar o pré-escolar; e, finalmente, favorecer com políticas diferenciadas os contextos educativos mais desfavorecidos. 
 
Prioridades estas que, conforme referiu Tiago Brandão Rodrigues, estão previstas no programa do Governo.