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Notícias

2020-08-26 às 14h45

Pesqueiras do rio Minho são candidatas a património imaterial

Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, na apresentação pública da candidatura das pesqueiras do rio Minho a património imaterial, Melgaço, 26 agosto 2020

Portugal vai avançar com a candidatura das pesqueiras do rio Minho ao registo nacional de património imaterial. A apresentação pública da candidatura foi feita em Melgaço, numa cerimónia onde esteve a Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira.

 Numa declaração à agência de notícias Lusa, após a cerimónia, Angela Ferreira referiu que a candidatura, do lado português, é coordenada pela Direção-Geral do Património Cultural enquanto o processo ainda está a decorrer em Espanha.

 A Secretária de Estado disse também que a candidatura vai agora «ser analisada por técnicos da Direção-Geral do Património Natural», podendo estar ainda sujeita «a pedidos de esclarecimentos adicionais à equipa científica que a produziu». Seguir-se-á a consulta pública, antes do despacho final de inscrição no registo nacional de património natural imaterial.

 Ângela Ferreira destacou ainda a importância da «preservação do saber e do conhecimento» que as pesqueiras encerram, para garantir a «passagem às gerações futuras» de «um conhecimento imemorial», uma «parte incontornável da história do rio Minho».

 «Esse vai ser um pilar fundamental da divulgação, tanto nacional como internacional, desta prática e do território que acompanha o rio Minho, tanto do lado português como espanhol», acrescentou.

 

900 estruturas num troço de 37 quilómetros


 O rio Minho - sendo uma fronteira natural entre os dois países - concentra, num troço de 37 quilómetros (entre Monção e Melgaço), cerca de 900 pesqueiras para a captura da lampreia, do sável, da truta, do salmão ou da savelha.

 As estruturas antigas em pedra são descritas no estudo «A pesca nas pesqueiras do rio Minho», de Álvaro Campelo, como «habilidosos sistemas de muros construídos a partir das margens, que se assumem como barreiras à passagem do peixe, que se via assim obrigado a fugir pelas pequenas aberturas através das quais, coagido pela força da corrente das águas, acabando por ser apanhado em engenhosas armadilhas».

 As construções, «umas milenares e outras centenárias, pressupõem um saber e compreensão da bacia do rio, das suas características biológicas, eco ambientais, físicas, orográficas, e as artes de pesca, testemunhas do conhecimento e vida das comunidades ribeirinhas e do seu sentimento de pertença a uma unidade cultural e identitária».

Tags: património
Áreas:
Cultura