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2021-01-28 às 10h02

Mercosul tem «importância estratégica, geopolítica e económica fundamental para a União Europeia»

A presidência portuguesa da União Europeia considera que o acordo comercial que a União assinou com o Mercosul «tem uma importância estratégica, geopolítica e económica fundamental para a União Europeia», disse o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, na comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu.

A intenção da presidência é «avançar na finalização do acordo», que é fundamental que seja ratificado pelos 27 países, por, entre outras razões, uma questão de manutenção da credibilidade da Europa «nas negociações em curso com outras parcerias».

«Apoiamos ativamente o exercício que foi lançado pela Comissão Europeia, que consiste não em reabrir o acordo com o Mercosul, mas sim em identificar necessários compromissos adicionais, trabalhando com os países do Mercosul para esse objetivo», disse Santos Silva. 

A presidência portuguesa «está muito consciente das questões legiítimas que o acordo com o Mercosul suscita», designadamente «sobre desflorestação, biodiversidade, ação climática, segurança alimentar, cumprimento dos padrões europeus», que foram levantados por eurodeputados, disse.

O Ministro disse aos eurodeputados que, nos contactos que já fez com Ministros de países do Mercosul, retirou «o sentimento de que também o Mercosul está bem consciente da necessidade destas clarificações adicionais».

O Primeiro-Ministro António Costa, na sua apresentação dos objetivos da presidência portuguesa ao Parlamento Europeu, a 20 de janeiro, afirmara que o acordo com o Mercosul «não é, em primeiro lugar, económico», embora seja «o mais importante acordo económico que a Europa pode celebrar».

«Mas é, em primeiro lugar, um acordo pela geopolítica da Europa, porque neste novo mundo global, o Atlântico não pode perder a importância que tem, deixando a nova centralização do mundo incidir no Indo-Pacífico», acrescentara.

O acordo comercial, alcançado em junho de 2019 entre a UE e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), após duas décadas de negociações, deverá entrar em vigor ainda este ano, após ratificação pelos Estados membros.