Imigrantes são benéficos «para a sociedade e economia»

Proposta de lei sobre passagem de competências do SEF dá cumprimento aos compromissos de Portugal no quadro do Pacto Global das Migrações

Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na Assembleia da República

Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na Assembleia da República

O Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmou que os imigrantes são benéficos «para a sociedade e economia» pelo que não se justifica, em Portugal, a existência de «uma polícia para estrangeiros», quase 50 anos depois de um Estado de direito democrático.

O Ministro falava no Assembleia da República, durante o debate da proposta do Governo que define a passagem das competências policiais do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras para a Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana e Polícia Judiciária, no âmbito da reestruturação do SEF.

Para Eduardo Cabrita, os cidadãos estrangeiros devem ser tratados em Portugal «da mesma forma que qualquer um de nós». O Ministro disse ainda que «a proposta de lei dá cumprimento aos compromissos de Portugal no quadro do Pacto Global das Migrações e no quadro daquilo que é a visão do programa do Governo que olha para as migrações e comunidades estrangeiros como algo benéfico para a sociedade e economia», frisou.

Portugal foi primeiro país europeu a apresentar um programa global de concretização do pacto global

Entre as razões para a aprovação da proposta de Lei, Eduardo Cabrita destacou o facto de Portugal ter sido «o primeiro país europeu a apresentar um programa global de concretização do Pacto Global para as Migrações» e «o cumprimento do programa do Governo que estabelece uma orientação de separação orgânica muito clara entre funções policiais e as funções administrativas de acompanhamento de cidadãos estrangeiros».

Outro dos motivos está relacionado com «a necessidade de reorganização das forças e serviços de segurança e reorganização das competências em matéria de investigação criminal relativamente à prioridade ao combate ao tráfico de seres humanos e à utilização da fragilidade de cidadãos vítimas de redes de auxílio à imigração ilegal».

«Esta proposta permite concretizar uma das prioridades da Presidência Portuguesa da União Europeia na área dos Assuntos Internos, de distinção entre funções de segurança de fronteiras e a nova dimensão de uma Agência Europeia de Asilo, aprovada no último dia da presidência europeia», afirmou.

O Ministro disse ainda que a proposta do Governo vai permitir «maximizar a eficácia de ação da área de segurança interna», no âmbito da atuação da GNR, PSP e PJ, bem como a experiência adquirida pelos trabalhadores do SEF, que tem «de ser valorizada».