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Notícias

2020-11-18 às 16h39

Grupo onde ocorrem mais contágios é entre os 40 e os 49 anos

Ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência de imprensa sobre a situação da pandemia de Covid-19, 18 novembro 2020
Um terço das pessoas internadas nos hospitais devido a Covid-19 tem entre os 40 e os 69 anos, quase dois terços são doentes com mais de 70 anos e os restantes, 4 em cada 100, têm menos de 40 anos, disse a Ministra da Saúde, Marta Temido na conferência de imprensa sobre a situação da pandemia.

«Referimos estes dados para que todos percebam com clareza que não são só as pessoas que contraem a doença numa fase mais avançada [da vida] que necessitam de internamento hospitalar», acrescentou.

A Ministra informou ainda que, dos 5891 casos contabilizados nas últimas 24 horas, mais de mil são de pessoas com idades entre os 40 e os 49 anos, sendo, aliás o grupo etário onde mais ocorrem contágios é o entre os 40 e os 49 anos.

Dos 78641 casos ativos de infeção, há 3051 que estão internados, sendo que destes, 432 doentes (14% dos internamentos) estão em unidades de cuidados intensivos.

Muito acima do limite

Portugal apresenta uma taxa de incidência acumulada em 14 dias de 726,2 casos por 100 mil habitantes, muito acima do limite dos 240 casos por 100 mil habitantes, o critério geral definido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. 

A região Norte tinha, nos últimos 14 dias, uma taxa de incidência acumulada de 1264 casos por 100 mil habitantes, o Centro de 505 casos, Lisboa e Vale do Tejo de 498, o Alentejo tinha 291 casos e o Algarve 265 casos.

O cálculo do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge continua a apontar para uma incidência crescente da doença, apesar de o risco de transmissão estar a reduzir-se, explicou Marta Temido.

«O que nos preocupa neste momento é o elevado número de novos casos por dia, que torna o ciclo da doença uma preocupação para o funcionamento dos serviços de saúde e da sociedade em geral», disse. 

Decisões sobre a vacina

A Ministra anunciou que as decisões relativas à vacinação contra o novo coronavírus serão tornadas públicas em dezembro, perspetivando-se, atualmente, que poderá vir a haver vacinas no início de 2021.

Marta Temido referiu que o processo de compra das vacinas que vierem a ser aprovadas, depois de testes positivos, está a ser desenvolvido pela Comissão Europeia, com o objetivo de conseguir que «os cidadãos tenham acesso a vacinas seguras e eficazes, em tempo igual para todos» e a preços comportáveis.

A cada país cabe a tarefa de definir quais serão os grupos prioritários e de operacionalizar a toma. Em Portugal, «os organismos técnicos estão a trabalhar com resguardo, com tranquilidade, e apresentarão publicamente o planeamento num prazo relativamente curto, no início do mês de dezembro». O objetivo é conseguir a «administração rápida da vacina», disse.

Planeamento

O planeamento inclui quem deve ser vacinado, onde devem ser armazenadas as doses, quem serão os profissionais de saúde encarregues deste trabalho ou como devem ser distribuídas as vacinas.
Marta Temido sublinhou que este é um trabalho complexo que obriga a desenhar vários cenários, uma vez que as eventuais vacinas apresentarão características diferentes.

«Temos ainda informação relativamente limitada sobre as indicações de cada uma das potenciais vacinas que vão surgir no mercado e por isso estamos a trabalhar num cenário de incerteza», explicou.

A Ministra disse que o País «tem de estar preparado» para garantir circuitos de transporte seguros, ter profissionais alocados para a administração das vacinas, ter os registos informáticos e garantir que são anotadas «reações adversas que eventualmente surjam».