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2021-04-06 às 13h49

Governo toma medidas para conter contaminação nos concelhos de maior risco

Primeiro-Ministro António Costa na reunião com a Ministra da Saúde, Marta Temido, os Secretários de Estado coordenadores e os autarcas dos concelhos de maior risco, Lisboa 6 abril 2021 (Foto: Clara Azevedo)
O Primeiro-Ministro António Costa e a Ministra da Saúde, Marta Temido, e os Secretários de Estado coordenadores do combate às Covid-19 estiveram reunidos videoconferência com os presidentes dos municípios do Continente com incidência da doença acima dos 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias (Alandroal, Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira da Pena e Rio Maior).

Numa declaração no final da reunião, o Primeiro-Ministro referiu que «ontem tínhamos 20 concelhos com mais de 120 casos por 100 mil habitantes a 14 dias, concelhos relativamente aos quais é necessário tomar medidas, tendo em vista identificar quais são os focos, as cadeias de transmissão e ver como podemos colaborar para controlar e evitar que daqui a 15 dias tínhamos de parar ou regredir» no desconfinamento, «ou que alguns concelhos tenham de o fazer».

António Costa afirmou que «foi uma reunião muito útil, porque nos permitiu identificar um padrão comum no conjunto destas situações», tratando-se, na generalidade dos casos, «de surtos com origem em concentração de pessoas em habitação precária ou temporária, associadas a grandes obras públicas em curso ou a colheitas ou a unidades industriais que recorrem à habitação local».

«Em contacto com os Ministérios do Trabalho, das Infraestruturas, do Ambiente, da Agricultura, foi vista a necessidade de articular ações específicas da Autoridade para as Condições de Trabalho com as autoridades de saúde pública, para criar melhores condições sanitárias nesses locais de residência, e para desenvolver, nos casos em que ainda não estão em curso, ações de testagem massiva, tendo em vista detetar pessoas infetadas e quebrar as cadeias de transmissão», acrescentou.

Agricultura

Também vão ser desenvolvidas ações do Ministério da Agricultura, em parceria com as organizações de produtores, tendo em conta o calendário de colheitas, que agora se inicia e se estende até às vindimas, para prevenir» o contágio, «com a difusão de boas práticas, com a testagem e com o acompanhamento permanente do desenrolar dessas atividades». 

O Primeiro-Ministro disse que, «na agricultura, a questão é crítica, porque se uma obra pode ser parada, as colheitas não podem ser paradas, sob pena de perda dos produtos, que são perecíveis».

Assim, «é fundamental haver um grande trabalho conjunto para prevenir riscos para a saúde de quem está a trabalhar, riscos de contaminação, riscos de transmissão para o conjunto da comunidade, tornando-se uma situação difícil».

António Costa apelou «às entidades patronais, tendo em vista a melhor organização possível das suas condições de trabalho, a realização da testagem dos seus trabalhadores e o acompanhamento da sua situação», e aos trabalhadores «para terem o máximo de cuidado na utilização dos equipamentos de proteção individual, para respeitarem a normas de distanciamento nos momentos de paragem ou de refeição, para evitar riscos acrescidos de contaminação».

Foi ainda estabelecido com o Ministro da Administração Interna «que, durante os próximos 15 dias, haverá um reforço dos efetivos da GNR ou da PSP em todos os concelhos que têm mais de 120 casos, tendo em vista reforçar as ações de fiscalização».

Manter os cuidados

O Primeiro-Ministro apelou também «a todos os concidadãos que, com alegria e aproveitando o bom tempo, estão a aproveitar a reabertura de várias atividades, designadamente das esplanadas», para que mantenham os cuidados. 

«É bom que o possamos fazer, mas é, sobretudo, bom que o possamos continuar a fazer, sendo essencial que vivamos este momento de reabertura com todas as cautelas», disse.

Não só «a pandemia não passou», como «a variante dominante é agora a britânica que é caracterizada pela grande velocidade de transmissão», disse acrescentando que «nos poucos focos que temos tido, até agora, em escolas, ao contrário do que acontecia no primeiro período letivo, em que, quando era detetada uma criança contaminada, praticamente não havia mais casos de contaminação, agora verificamos que havendo um caso, quando se testa, já há vários casos de transmissão».

António Costa sublinhou que «todo o cuidado é pouco e o sucesso do desconfinamento depende muitíssimo da grande disciplina em manter as normas de segurança».
Assim, «se estamos numa esplanada a tomar um café, enquanto o tomamos não podemos ter a máscara, mas depois do café tomado, podemos continuar a conviver, mas com máscara. Que cada um beba o café à vez, para não estarem todos sem máscara ao mesmo tempo».

O Primeiro-Ministro concluiu afirmando que «se não praticarmos estes atos vamos contribuir para o crescimento da pandemia», «para que daqui a 15 dias não tenhamos de ficar a marcar passo ou, pior, recuar na liberdade que temos vindo a reconquistar».