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Notícias

2020-06-26 às 17h48

Governo quer criar condições para produzir hidrogénio verde e renovável barato

O Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, destacou a ambição do Governo de «criar condições para produzir muito hidrogénio, verde e renovável, ao mais baixo custo possível».

«Para isso precisamos de soluções e estas soluções só serão construídas com o vosso empenho», referiu o Ministro numa sessão de discussão da Estratégia Nacional para o Hidrogénio que teve lugar no auditório do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

O Ministro afirmou que o hidrogénio vai ser um dos pilares na transição para uma economia descarbonizada até 2050 e realçou que esta aposta não é recente e acaba por ser resultado da ambição de Portugal em ser o primeiro país neutro em carbono.

Sines vai ter o primeiro «grande projeto para produzir hidrogénio verde com eletrólise feita a partir de água do mar» mas Matos Fernandes espera que possa ser apenas o início de vários projetos com a mesma finalidade.

Para a Estratégia Nacional para o Hidrogénio serão muito relevantes as tecnologias de produção, armazenamento, distribuição e abastecimento, transporte, injeção da rede de gás natural, construção de novas células de combustível novos materiais e novo processos.

«Temos de dar o salto para, não esquecendo nunca que o nosso fornecedor é a biosfera, tentarmos o mais possível ir trocando esse fornecedor por um outro a que eu chamarei de tecnosfera. A tecnosfera tem naturalmente como base o material que o nosso pródigo planeta nos disponibiliza, mas temos mesmo de saber construir uma grande camada tecnológica, para termos a certeza que utilizamos de forma parcimoniosa os bens da biosfera», acrescentou.

«Papel muito relevante em Portugal»

O Ministro reiterou que o hidrogénio vai representar um «papel muito relevante em Portugal» e poderá traduzir-se no Horizonte 2030 «em investimentos na ordem dos sete mil milhões de euros em projetos de produção de hidrogénio e numa redução das importações de gás natural na ordem dos 300 a 600 milhões de euros».

A pandemia de Covid-19 veio também sublinhar a importância de reindustrializar Portugal sem recorrer às ferramentas do passado: «Tem de ser feita de outras formas, com outros processos e pensada para uma sociedade neutra em carbono, que regenere recursos e que caiba dentro dos sistemas terrestres, com novos modelos de negócio e com novas tecnologias para relançar a economia».

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e o Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, também estiveram presentes na sessão. A Estratégia Nacional para o Hidrogénio vai estar em discussão pública até 6 de julho.