Saltar para conteúdo

Notícias

2021-04-06 às 16h02

Estudo sobre teletrabalho é «mote para a discussão dos modelos organizativos na Administração Pública»

Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão (foto: João Bica)
A Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, afirmou que o estudo sobre o teletrabalho apresentado pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) é «um mote para a discussão tem torno dos modelos organizativos na Administração Pública e para continuar a investir na desmaterialização».

Salientando a importância do documento como base de trabalho para a tomada de decisões políticas, Alexandra Leitão lembrou que uma visão «essencialmente financista da Administração Pública, que a vê como uma despesa, não permite um pensamento mais global». 

«Esperamos estar no bom caminho para iniciar esse trabalho de perspetivar a Administração Pública como motor da economia e não uma despesa para a economia. Isto é muito importante porque esta visão da Administração Pública como uma despesa ou um mal necessário existe, até na opinião publicada», disse.

A Ministra destacou o facto de a maioria dos dirigentes entender que o teletrabalho não representou uma quebra de produtividade e considerou que esta é uma matéria que deve ser regulamentada de forma a ser positiva «para o serviço, para os trabalhadores e, também, para os cidadãos e empresas que se relacionam com a Administração Pública».

Estudo

O estudo «A adaptação dos modelos da organização do trabalho na Administração Pública Central durante a pandemia Covid-19: dificuldades e oportunidades», da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) pretendeu avaliar como se efetuou a adaptação dos modelos de organização do trabalho na Administração Pública Central durante a pandemia Covid-19, assim como salientar as principais dificuldades e oportunidades percecionadas pelos dirigentes e trabalhadores. 

Para tal, procedeu-se à recolha das perceções de dirigentes superiores (através de entrevistas) e de dirigentes intermédios e trabalhadores (através de inquéritos).

De acordo com os resultados do estudo, a 15 de março (antes do primeiro confinamento), os trabalhadores que estavam em teletrabalho optaram por este regime sobretudo por razões da sua conveniência, como a organização da vida pessoal, familiar e profissional ou questões de saúde.

Entre os desafios apontados, a maioria dos dirigentes (70%) salientou a comunicação como a principal dificuldade, seguindo-se a coordenação de equipas e os equipamentos (44%).

Quanto à distribuição de meios tecnológicos, a maioria dos respondentes afirmou que foram distribuídos total (cerca de 35%) ou parcialmente (cerca de 28%) estes meios aos trabalhadores para prestação do trabalho a partir de casa.

Do lado das oportunidades, a maioria dos dirigentes superiores considera que o teletrabalho dá um contributo globalmente positivo para a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional. Mais de metade dos dirigentes intermédios e trabalhadores diz haver um efeito positivo na conciliação da vida profissional, familiar e pessoal e mais de 70% indica também o tempo poupado em deslocações como uma vantagem do teletrabalho.

Na dimensão da motivação, conclui-se que o teletrabalho não põe em causa a motivação dos trabalhadores e que a qualidade do trabalho não sai prejudicada em função de o trabalhador estar ou não no seu local de trabalho: cerca de metade dos dirigentes intermédios e trabalhadores diz que não é o facto de trabalharem presencialmente ou a partir de casa que os deixa mais ou menos motivados e cerca de 39% afirma sentir-se mais ou muito mais motivado quando está a trabalhar a partir de casa.

O estudo incidiu também sobre os modelos e perspetivas futuras do teletrabalho na Administração Pública central, sendo que a grande maioria dos dirigentes (87%) considera ser este o momento indicado para proceder à revisão global dos modelos de organização do trabalho e uma boa parte (65%) afirma poder desempenhar a sua atividade profissional sempre ou quase sempre fora do local de trabalho.

Para este estudo, foram entrevistados 29 dirigentes superiores de 29 entidades da Administração Pública Central (direta e indireta) entre os meses de junho e setembro de 2020, tendo sido posteriormente realizados inquéritos online aos respetivos dirigentes intermédios e trabalhadores, entre os dias 5 e 22 de janeiro de 2021, sendo obtidas 4445 respostas.