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Notícias

2021-04-07 às 14h13

«É preciso rasgar o Marão nas nossas cabeças» para que haja coesão territorial

Primeiro-Ministro António Costa discursa na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, 7 abril 2021
«É preciso rasgar o Marão que ainda está nas cabeças de muitos de nós para que haja coesão» no território nacional, disse o Primeiro-Ministro António Costa durante uma visita à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real.

O Primeiro-Ministro acrescentou que «a valorização do interior passa pela valorização da atividade económica no interior, pela criação de postos de trabalho de qualidade, que fixem as novas gerações que cá vivem e atraiam novas para viverem aqui».

António Costa apontou três exemplos relacionados com esta Universidade: a parceira com a Associação Fraunhofer, na área da agricultura de precisão, o investimento na investigação da saúde animal, desenvolvendo uma nova capacidade na UTAD, e «a aprovação ontem, pelo Compete, do financiamento de uma parceira entre a UTAD e a Continental, que vai permitir o desenvolvimento de uma outra área de investigação que é a fábrica do futuro», através do desenvolvimento de antenas para a automação industrial.

Clima e digital

Estes projetos mostram «o sentido que faz a opção da União Europeia de assentar toda a estratégia de recuperação económica no combate às alterações climáticas e na transição para a sociedade digital», disse. 

Referindo que «o combate às alterações climáticas se desenvolve por diversas vias», apontou «a promoção da mobilidade sustentável, seja da ciclovia, seja dos transportes públicos, que farão diminuir a pegada ambiental de quem se desloca para o campus universitário»; «a eficiência energética e na produção de energia renovável que assegura a redução de 70% das emissões de CO2».

E também, na parceira com a Fraunhofer, «a gestão muito cuidada do bem escasso que é a água», este projeto fazendo «a ponte entre o desafio da transição climática e o desafio da transição digital porque permite a aplicação das tecnologias de informação à gestão mais eficiente da água na atividade agrícola, e demonstra que o desafio da transição climática não é contra a produção agrícola, mas gera uma oportunidade de produção agrícola de maior qualidade com maior eficiência, e mostra ainda que a transição digital pode ter a ver com as atividades mais antigas que o homem pratica».

Trabalhar em conjunto

O Primeiro-Ministro afirmou que «só vamos vencer os desafios da recuperação com todos a trabalhar em conjunto, derrubando os muros da universidade e pondo a universidade e a cidade a trabalhar em conjunto», referindo que «o conhecimento que aqui se gera enriquece a cidade, a cidade oferece inúmeras oportunidades de desenvolvimento à universidade», que contribui «para o rejuvenescimento e a atividade económica na cidade».

Simultaneamente, tem de haver «trabalho em conjunto entre os centros de produção do conhecimento, porque os problemas da humanidade só se resolvem pelo cruzamento dos saberes» e parceira com a indústria para «poder ter ganhos de competitividade, de produtividade e riqueza partilhada por todos».

Plano de Recuperação e Resiliência

«O Plano de Recuperação e Resiliência tem em conta os objetivos da transição climática e da transição digital, como motores do desenvolvimento, e a esmagadora maioria dos recursos têm de ser investidos nestes dois domínios, para as acelerar», disse.

No Plano foi criado «algo muito inovador, que designámos por alianças e agendas mobilizadoras que implicam candidaturas conjuntas de empresas, autarquias e universidades, para poderem transformar o conhecimento produzido em valor económico que se instala no território, que desenvolve recursos endógenos ou que reforça a competitividade, a qualificação, a capacidade instalada, o conhecimento, o valor acrescentado produzido nessa região».

Sublinhando que «grande do investimento previsto no PRR destina-se ao interior», o Primeiro-Ministro destacou o «forte investimento nas áreas de localização empresarial, porque é fundamental que as empresas tenham boas condições para se instalarem», o «forte investimento na rede 5G nestas zonas de baixa densidade, onde o investimento comercial é menos compensador do que nos grandes centros urbanos», e a «abertura de cinco ligações transfronteiriças, de Bragança a Alcoutim, porque não nos conformamos que esta fronteira seja a exceção à regra europeia de que as regiões fronteiriças são as mais desenvolvidas na Europa».

Atrair e desenvolver talento

Pelo contrário, «esta fronteira deve ser uma centralidade num mercado ibérico que nos retira do espaço de 10 milhões e nos abre o mercado de 50 milhões, a caminho do mercado global que são os 450 milhões da União Europeia e do resto do mundo», afirmou.

António Costa concluiu afirmando que «para podermos ir para esse mercado global, não podemos limitar-nos a transferir para outros saber, valor acrescentado, produtos, serviços, tendo a capacidade de atrair e desenvolver aqui talento, produtos e serviços de maior valor acrescentado», disse, exemplificando como o Vinho do Porto.

O Primeiro-Ministro e os Ministros da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e a Secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, visitaram várias das instalações ou projetos referidos. 

À tarde, o Primeiro-Ministro, acompanhado pelo Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, inaugurou as obras de requalificação da Escola Secundária São Pedro, em Vila Real, resultantes de uma parceria entre o Ministério da Educação e o município vila-realense. 

Com um investimento de cerca de 4,5 milhões de euros, esta intervenção, realizada no âmbito do Portugal 2020, as obras renovaram o edifício histórico onde estudam cerca de 1000 alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário.