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2021-02-23 às 14h10

É necessário garantir que a Europa mantenha a liderança industrial

Ministro de Estado da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, na abertura dos Dias da Indústria, 23 fevereiro 2021 (foto: PPUE)
A pandemia de Covid-19 é «uma oportunidade única para repensar a realidade industrial» da União Europeia, afirmou o Ministro de Estado da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, na sessão de abertura da quarta edição dos Dias da Indústria da União Europeia.

«A pandemia trouxe impactos profundos e muito assimétricos em diferentes países e setores económicos» e «a recuperação vai ser mais demorada do que desejávamos e do que prevíamos nos últimos meses», afirmou Siza Vieira.

Todavia, a presidência portuguesa do Conselho da UE está comprometida em «ajudar a combater a crise e apoiar a recuperação», seguindo três prioridades: «promover uma recuperação europeia através da dupla transição digital e ecológica; implementar o Pilar Social da UE, um elemento-chave para garantir a transição justa e inclusiva; e reforçar a autonomia estratégia da UE no mundo».

Reindustrialização

O Ministro referiu que 27 Estados estão a «construir um consenso em torno da estratégia europeia da reindustrialização», uma vez que, «nas últimas décadas, a liderança da indústria europeia tem sido desafiada» pelo «desenvolvimento de outras regiões mundiais e de novas tecnologias».

Por isto, «é necessário garantir uma autonomia estratégica europeia que mantenha esta liderança» industrial, disse, acrescentado que a UE deve concentrar-se no desenvolvimento de tecnologias e de processos para a produção industrial, de modo a ser «produtora de tecnologia e não uma seguidora e compradora de tecnologias produzidas por outros».

Pequenas e médias empresas

Siza Vieira referiu que a atualização da estratégia industrial europeia que a Comissão Europeia irá lançar nos próximos meses, «deve refletir a importância do mercado único europeu, a coesão e as pequenas e médias empresas, que são a espinha dorsal da economia europeia».

Estas empresas serão «uma questão transversal essencial» da presidência portuguesa do Conselho da UE, pois «nenhuma estratégia industrial europeia pode ter sucesso sem a participação das pequenas e médias empresas na transformação industrial».

«Apoiamos, por isso, a criação de alianças estratégicas industriais, dado que podem contribuir de forma significativa para este processo de inovação e ajudar a integrar as pequenas e médias empresas nos ecossistemas industriais», disse.

O Ministro disse ainda que, «no futuro, a indústria vai ter de se adaptar a um novo paradigma», devendo a reindustrialização deve ter em consideração a descarbonização e a eficiência energética.

Empregos de qualidade

O Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, numa declaração à agência Lusa, referiu que «houve um período de clara desvalorização da atividade industrial em favor dos serviços», que se pensou que «poderiam ter um papel motor na atividade económica».

Apesar da importância dos serviços, o valor diferenciador da Europa face a outras regiões do mundo é «a capacidade de integrar vários modelos, vários Estados nacionais e várias abordagens».

Neste sentido, importa preservar a indústria, os serviços e a forma como estes se articulam com o conhecimento nas diversas áreas da Europa, tanto mais que a crise provocada pela pandemia de Covid-19 deixou à vista a importância da indústria «para a preservação de empregos com qualidade».

Se houve um período em que a indústria era vista como «uma atividade difícil, mal paga e pouco interessante», a indústria europeia de hoje «valoriza as pessoas, o conhecimento e a relação com o ambiente».

Falta produção de elementos essenciais

João Neves sublinhou a necessidade de a UE garantir «algumas dimensões de autonomia estratégica», pois «esta crise sanitária deu bem os limites do que estamos a viver».

«Não tínhamos na Europa produção suficiente de um conjunto de elementos que são essenciais num contexto de crise, porque na crise é que se veem as dificuldades e as vantagens que os vários blocos económicos têm», disse.

Portugal deseja, simultaneamente, mercados abertos, mas também «que alguns elementos da indústria europeia sejam mantidos, de forma concorrencial», concluiu.

Desde a sua primeira edição, em 2017, os Dias da Indústria estabeleceram-se como a principal plataforma da Comissão Europeia para um diálogo aberto com as partes interessadas e uma discussão sobre a indústria.

A edição de 2021 focar-se-á em quatro elementos: transição digital, transição verde, valor económico associado ao conhecimento e autonomia estratégica.