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2020-07-07 às 17h32

Digitalização será um dos principais tabuleiros estratégicos do século XXI

Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, na conferência «O impacto estratégico da Covid-19 no ambiente internacional», Assembleia da República, 7 julho 2020
«A digitalização será um dos principais tabuleiros em que se jogará o xadrez estratégico global do século XXI», afirmou o Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, na conferência «O impacto estratégico da Covid-19 no ambiente internacional», organizada pela Comissão de Defesa Nacional, pela Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas da Assembleia da República e pela Comissão Portuguesa do Atlântico.

Sublinhando que a pandemia de Covid-19 ainda está em evolução, pelo que só se podem tirar conclusões provisórias, o Ministro identificou «três grandes tendências com significativas consequências globais».

Democracias responderam melhor

«A primeira tendência fundamental tem a ver com o facto de que uma nova pandemia é sempre um teste muito exigente à capacidade de resposta de qualquer Estado ou qualquer regime», tendo ficado «evidente que as respostas mais eficazes à pandemia vieram de Estados com regimes democráticos estáveis e instituições sólidas».

Gomes Cravinho referiu também a vulnerabilidade das democracias, regimes que não controlam a informação, às campanhas de desinformação, do que devem ser retiradas lições.

Todos têm de estar seguros

A «segunda grande tendência a que estamos a assistir tem a ver com a intensificação da competição entre grandes potências, nomeadamente entre os EUA e a China», competição e tensão que «torna mais difícil encontrar respostas globais para problemas globais».

O Ministro sublinhou que, no caso da pandemia, «ninguém está plenamente seguro até todos estarmos seguros», sendo fundamental que a corrida às vacinas e a outros medicamentos «não se transforme numa guerra» e «seja benéfica para todos», quer por razões éticas, quer de segurança nacional.

«A resposta a um desafio global como uma pandemia só é eficaz se houver genuína cooperação entre os Estados, nomeadamente através de instituições multilaterais que garantam a continuidade destes esforços», sendo «fundamental defender instituições como a ONU, e nesse quadro a Organização Mundial de Saúde, assim como a NATO ou a UE».

Acelerar da digitalização

A «terceira tendência fundamental, com impacto estratégico global, foi o acelerar da digitalização da economia, da educação, do nosso modo de vida». Numa sociedade mais dependente dos meios digitais, há também um «multiplicar de potenciais vulnerabilidades que podem ser exploradas por atores hostis», o que implica maior atenção à cibersegurança.

Gomes Cravinho referiu, no âmbito desta tendência, três prioridades: a primeira é o «reforço da capacidade de resposta da NATO e da UE a este tipo de emergências», que será uma prioridade da presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2021.

Segunda prioridade é o «reforço da nossa capacidade de ciberdefesa», mas, também, da capacidade do Governo e da sociedade combater a desinformação, porque «a digitalização será um dos principais tabuleiros em que se jogará o xadrez estratégico global do século XXI».

Finalmente, a terceira prioridade é «reforçar a capacidade de resposta da Defesa Nacional a emergências complexas» que, nomeadamente devido às alterações climáticas, é previsível que continuem a multiplicar-se.

O Ministro afirmou que estas prioridades «terão algumas implicações em termos de investimento em meios e capacidades», nomeadamente privilegiando «meios e capacidades de duplo uso» civil e militar.