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2021-01-12 às 11h29

Criar «Espaço para as pessoas» é um objetivo da presidência portuguesa da UE

Microsatélite Demeter (Imagem ESA)
O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou que o principal objetivo da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), em termos de política espacial, é a criação de um «Espaço orientado para os cidadãos».

«O nosso principal objetivo é a mobilização de cada ator - tanto atores institucionais como o setor empresarial europeu - numa abordagem europeia do Espaço que é orientada para os nossos cidadãos. Um novo Espaço para as pessoas», referiu Manuel Heitor durante a Conferência Europeia do Espaço, que contou também com a intervenção do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e do comissário para o Mercado Interno, Thierry Breton.

O Ministro afirmou que esta «abordagem Europeia orientada para as pessoas» – que irá juntar «os setores públicos e privados», as indústrias, as agências espaciais nacionais e a Agência Espacial Europeia – permitirá a criação de «postos de trabalho novos e melhores», acrescentando que o desenvolvimento de novas capacidades espaciais conduzirá à criação de «atividades empresariais» em várias regiões europeias, entre as quais os Açores.

«No acesso ao Espaço, é claro que temos de fortalecer as capacidades existentes, mas também diversificá-las e complementá-las com pequenos portos espaciais, e lançadores flexíveis, que irão criar atividades empresarias em cada zona da Europa, quer seja nos Açores, em Kiruna, Andoya ou na Escócia», disse ainda.

Salientando que o «Espaço é para as gerações presentes, mas também para as gerações futuras» Heitor frisou que, além da criação de empregos, o Espaço ajudará também à criação de «novos mercados».

Manuel Heitor relembrou ainda, na sua intervenção, as linhas de ação definidas para uma Europa «mais verde, mais digital, mais resiliente num contexto social e mais aberta para o mundo», e que o Espaço contém «capacidades únicas» que permitem que a Europa cumpra os seus objetivos em cada um desses setores:

«Sistemas espaciais, combinados com a observação da Terra e Inteligência Artificial avançada, podem potenciar uma maior consciencialização, mas também gerar novas ações que vão do registo de terras à mobilidade autónoma, passando pela gestão da biodiversidade, o que poderá permitir a liderança europeia na transformação verde e digital», disse o Ministro.


«Espaço robusto» é essencial para autonomia estratégica


O presidente do Conselho Europeu, por sua vez, disse que o Espaço tem um impacto direto no objetivo geopolítico europeu de atingir a autonomia estratégica e referiu que «um setor espacial robusto é essencial para uma Europa robusta»:

«A Europa já é um grande poder no Espaço. Se quisermos ser mais fortes e mais autoconfiantes no cenário global, também temos de ser mais fortes no Espaço», frisou Charles Michel.

Para o presidente do Conselho Europeu, a UE tem de assegurar um acesso ao Espaço «seguro, autónomo, fiável e viável» e garantir que a atividade espacial é «inovadora e sustentável».

«Como gerimos o tráfego espacial e os detritos espaciais também será um desafio. A Europa, enquanto líder na cooperação multilateral, tem um papel primordial a desenvolver na proteção do interesse global coletivo», acrescentou.

Charles Michel referiu ainda o papel que a política espacial desempenha tanto na transição climática, como na transição digital:

«Na área do digital, as comunicações espaciais estão a criar grandes oportunidades. Projetos de satélites de baixa órbita, em específico, deverão permitir o desenvolvimento da conectividade de banda larga, um elemento-chave para a nossa transição digital», frisou.

«A União Europeia nasceu de um sonho. A conquista do Espaço invoca o nosso sonho como nenhum outro. Vocês estão na vanguarda do futuro da Europa, o novo sonho da Europa. Podem contar com a Europa para vos apoiar, tal como a Europa conta convosco», concluiu Charles Michel.