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2021-01-19 às 17h52

Combate à pandemia «é uma maratona muito dura»

Primeiro-Ministro António Costa responde às perguntas do deputados, Assembleia da República, 19 janeiro 2021 (foto: Miguel A. Lopes/Lusa)
O combate contra a pandemia de Covid-19 «ainda está para durar por muitos e longos meses, porque, até atingirmos a imunização coletiva da sociedade, não ultrapassaremos a pandemia», disse o Primeiro-Ministro António Costa, acrescentando que essa imunização «só se atingirá quando 60 a 70% da população estiver imunizada, ou porque, infelizmente, foi contagiada, ou porque foi vacinada».

O Primeiro-Ministro, que respondia a perguntas dos deputados na Assembleia da República, disse que, presentemente, «vivemos um momento dos mais tristes, de maior dor e sofrimento».

António Costa reiterou que o combate contra a pandemia «é uma maratona e uma maratona muito dura», apesar da esperança criada pela vacina. «Por muitos meses que leve o processo de vacinação, há forma de chegar ao fim do túnel». Há «já uns milhares de profissionais de saúde que já tiveram a segunda toma e já estão definitivamente vacinados», referiu.

Capacidade não é ilimitada

Ao mesmo tempo, é necessário «continuar a aumentar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde», que «tem conseguido responder aos momentos de maior necessidade de forma progressiva», apontando que «em meados de outubro, estavam afetas à Covid 1424 camas, no final de novembro tinha sido alargado para 3545 camas, hoje temos 5795 camas ocupadas com doentes Covid e ainda temos capacidade de extensão». 

O Primeiro-Ministro apontou o caso das centenas de pessoas que estavam abandonadas nos hospitais por não terem para onde ir, para as quais «foi possível encontrar alojamento digno», o que «fez com que hoje tenhamos essas camas disponíveis».

Outro exemplo, é a entrada, «amanhã, em funcionamento do hospital de campanha do Estádio Universitário de Lisboa» e da Casa dos Atletas «para servir de retaguarda para cuidados que não exigem internamento hospitalar». Terceiro exemplo, é as «38 convenções assinadas, com camas disponibilizadas pelo setor social e também pelo privado».

«Mas todos sabemos que a capacidade de extensão não é ilimitada», porque não bastam camas ou ventiladores – «que quase duplicámos desde março» –, «é preciso disponibilidade de recursos humanos», afirmou.

É também necessário «aumentar o esforço de prevenção o que significa: mais testes, mais rastreamento, menor demora na identificação e quebra de cadeias de contágio». Se «é importante aumentar o número de camas, é mais importante aumentar o de rastreadores que nos permitam acelerar os inquéritos epidemiológicos e a testagem».

Manter as regras

Todavia, «se cada um não tiver cuidados para proteger a sua saúde e a de quem o rodeia, não conseguiremos travar a pandemia», afirmou, sublinhando que, nas vagas anteriores, «os portugueses já demonstraram que conseguem».

António Costa lembrou que «os portugueses foram extraordinários em março, depois do verão, quando foi necessário quebrar a segunda vaga e o conseguimos fazer até ao natal. E são esses mesmos portugueses, apesar do cansaço acumulado, das dificuldades acrescidas, porque há mais pessoas que perderam emprego e rendimentos, que, tenho a certeza, se vão mobilizar para travar a terceira vaga».

Afirmando que o Governo se bateu, «com grande consenso nacional, para que, a todo o custo, evitássemos um novo confinamento geral, porque todos temos consciência de qual é o seu custo», reiterou que tomará «sempre as medidas que em cada momento se justificarem, com bom senso e equilíbrio, fazendo tudo o necessário, mas nada mais que o necessário».

Assim, por exemplo, o que o Conselho de Ministros fez ontem «foi por ter em conta o que estávamos a ver acontecer» - porque quando se autorizou o takeaway não se autorizou o aparecimento de esplanadas improvisadas - «e que exigia uma resposta imediata».

Testes sistemáticos nas escolas

António Costa anunciou que, começando pelo concelho de risco extremo, «amanhã, vamos iniciar uma campanha sistemática de testes rápidos, em todas as escolas, para reforçar a segurança». 

O Governo decidiu «manter as escolas abertas porque sabe o enorme custo social que representa fechá-las», uma vez que «não há ensino à distância, por melhor que seja, que assegure a qualidade do ensino presencial».

O Primeiro-Ministro disse que o objetivo é «não perturbar, pelo segundo ano letivo consecutivo, a educação das novas gerações. Hoje sabemos com certeza que o encerramento da escola pública, que a ausência do ensino presencial agrava as desigualdades e prejudica de modo irreversível a aprendizagem».

«O mais fácil era encerrar as escolas, porque o custo dessa decisão não é imediato, ao contrário do custo do encerramento do comércio, mas é pago daqui a 10 ou 20 anos. Temos 5400 escolas públicas e só 13 estão encerradas por surtos – e sempre que houver um surto, a autoridade de saúde vai encerrá-las» –, disse, acrescentando que «temos 1,14 milhões de alunos nas escolas e temos 39 mil alunos confinados». 

Preservar os rendimentos

É igualmente necessário «travar a batalha pela preservação do rendimento, evitando que a pobreza aumente, que as desigualdades se agravem, protegendo o emprego e as empresas, e os desempregados, para que todos sintam que, por mais difícil que seja este momento, não vamos deixar ninguém para trás», afirmou António Costa.

O Primeiro-Ministro referiu que «o País terá perdido, no ano passado, cerca de 15 mil milhões de euros da riqueza nacional. O conjunto dos apoios ao emprego, às empresas e à economia, foi de 22 mil milhões de euros. Claro que não chega – quando estamos a apoiar 20% das perdas de faturação ainda fica a falta 80% -, mas significa uma extraordinária mobilização dos recursos nacionais para apoiar o máximo possível».

Os portugueses não devem ter «ilusões de que sairemos da pandemia sem feridas e sem cicatrizes». Mas devem concentrar-se «em que vamos mesmo sair da pandemia, vamos sarar as feridas e assimilar as cicatrizes. Isso leva tempo, mas vamos conseguir», disse.