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Notícias

2021-05-14 às 16h18

Centro do Atlântico constituído por 16 países

Ministro da Defesa Nacional, Gomes Cravinho, e Ministro dos Negócios Estrangeiros da Gâmbia, Mamadu Tangara, no primeiro exercício do Centro do Atlântico, Praia da Vitória, 14 maio 2021 (foto: António Araújo/Lusa)
O Centro do Atlântico, iniciativa de Portugal que integra 16 países da Europa, África e Américas, representa uma «nova frente de apoio à paz e à estabilidade no oceano Atlântico», afirmou o Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho na Praia da Vitória, na ilha Terceira.

«Aquilo que nós estamos hoje a celebrar é um momento inaugural de uma instituição pioneira, que, pela primeira vez na história, reúne os países atlânticos em torno daquilo que os une: o oceano Atlântico. Parece estranho que isso nunca tenha acontecido no passado», acrescentou.

O Centro do Atlântico (Atlantic Centre) foi criado através de uma declaração conjunta assinada por 16 países: Alemanha, Angola, Brasil, Cabo Verde, Espanha, Estados Unidos da América, França, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Marrocos, Portugal, Reino Unido, São Tomé e Príncipe, Senegal e Uruguai.

A declaração foi assinada presencialmente pelo Ministro da Defesa Nacional de Portugal e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Gâmbia, Mamadu Tangara, (os outros Ministros participaram por videoconferência). 

Apoio à paz

João Gomes Cravinho disse que a proposta portuguesa, feita inicialmente pelo Ministro Azeredo Lopes, foi «recebida de forma muito espontânea, muito imediata» e «com grande satisfação» pelos restantes países que integram o centro.

«Aquilo que estamos a propor aqui é, na realidade, uma nova perspetiva, uma nova frente de apoio à paz e à estabilidade no oceano Atlântico, que é tão importante para nós e para tantos outros países», disse.

O centro vai permitir um diálogo político «que nunca aconteceu» até agora, envolvendo todas as partes do Atlântico, mas também a partilha de conhecimento entre universidades, centros de investigação e forças armadas dos diferentes países e a capacitação e formação.

Primeiro curso

Após a assinatura da declaração realizou-se um exercício de simulação de um resgate no mar, numa situação de pirataria, que envolveu a Marinha e a Força Aérea portuguesas. 

O exercício, a primeira iniciativa organizada pelo Centro do Atlântico encerrou um curso intensivo, iniciado no dia 10, na base das Lajes sobre segurança marítima no golfo da Guiné, que contou com a participação de 25 auditores de 13 nacionalidades.

O Ministro referiu que «tivemos aqui esta semana o primeiro curso de muitos, esperemos, juntando auditores e muitos países do Atlântico e professores de um elevado número de países para criar um conhecimento partilhado».
A participação no centro é «aberta a todos os países do Atlântico», tendo como critério fundamental «o empenho na paz e na estabilidade do Atlântico», disse.

Base das Lajes

A sede do centro será instalada na base das Lajes, na ilha Terceira. «Queremos que a base das Lajes seja o epicentro do Atlantic Centre. Os cursos, tal como aquele que hoje acaba, terão lugar aqui na base das Lajes, que tem excelentes instalações e haverá um investimento do Ministério da Defesa em novas infraestruturas», afirmou.

«A relevância do Atlantic Centre vai muito para além da mera ideia de criar novos empregos para substituir empregos que, entretanto, desapareceram. Alguns empregos virão, empregos qualificados, o que levará à fixação de pessoas aqui na ilha Terceira, mas neste momento ainda é muito cedo para poder quantificar», disse.