Saltar para conteúdo

Notícias

2021-03-22 às 15h01

Água deve começar a ser gerida como um «recurso circular»

Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes
O Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, afirmou que a água é um bem cada vez mais escasso e deve começar a ser gerida como um «recurso circular», durante uma intervenção na abertura do 15.º Congresso da Água, organizado pela Associação Portuguesa de Recursos Hídricos.

«A circularidade do recurso tem de ser levada para dentro da gestão dos sistemas e da gestão industrial», disse o Ministro, acrescentando a importância de implementar um planeamento que inclua «cadastro atualizado, mapeamento das intervenções, gestão de equipamentos a adquirir ou a substituir e a pesquisa de novas tecnologias para resolver problemas identificados».

A digitalização dos sistemas é outra prioridade e Matos Fernandes sublinhou a importância de implementar inteligência artificial para «deteção preventiva de acidentes ou falhas, ou na deteção de afluências indevidas e focos de poluição através da análise de imagens de satélite»

«Todas estas inovações estão já a ser testadas no terreno em vários países europeus e temos de as integrar nos nossos sistemas, fazendo uso dos apoios à digitalização que estão disponíveis», acrescentou.

O Ministro referiu também que a água é cada vez mais escassa e que «o preço deve refletir essa escassez», «sobretudo quando as fontes de água são cada vez menos e se considera que o investimento nas soluções passa unicamente pelo Estado e pela tarifa do cidadão». «O preço é o sinal mais forte que temos a dar aos utilizadores da água no sentido de a usarem de forma mais parcimoniosa», alertou.

Matos Fernandes salientou a necessidade de separar as águas pluviais, «alimentando os sistemas ecológicos ou sendo reutilizadas», bem como as águas não urbanas, ‘que beneficiaram de uma visão sistémica de tratamento e valorização», as «afluências indevidas» e as «entregas não conformes».

«Estes são alguns dos temas que, certamente, beneficiam de um planeamento estratégico e de uma abordagem concisa por parte dos sistemas, sejam eles multimunicipais, intermunicipais ou municipais, sejam em alta ou em baixa. É esse planeamento que queremos encorajar, devidamente enquadrado pelo plano estratégico para o abastecimento de água e gestão de águas residuais pluviais para 2030», disse.

O Ministro disse ainda que o facto de a água ter começado a ser negociada em contratos futuros na bolsa de Nova Iorque, a partir de dezembro de 2020, «é um reconhecimento da cada vez maior escassez de água que advém não só dos impactos as alterações climáticas, mas também do sobre consumo e da degradação da qualidade». 

«A água é circular, faz todo o sentido que a nossa abordagem a este recurso enquanto serviço de ecossistema, de produto, se paute pelos mesmos princípios», reiterou.