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Intervenções

2021-05-24 às 12h22

Intervenção do Ministro do Planeamento no seminário «Investimento público pós-pandemia»

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Não espanta tal consenso europeu em torno da utilização do investimento público como o instrumento mais eficaz de estímulo económico para a recuperação pós- pandemia. Não só o Instrumento de Recuperação e Resiliência incluído no pacote do Next Generation foi desenhado como um Programa de apoio a Reformas que seriam concretizadas com um mix apropriado de medidas institucionais e de investimentos, como também a generalidade das outras agências internacionais, desde o BCE, a OCDE e o FMI, prescreveram logo em 2020 o investimento público como a principal alavanca para os programas de apoio à recuperação e para a saída da crise.

Particularmente enfáticas, são as recomendações do FMI e do seu Diretor para os Assuntos Orçamentais, Prof. Vítor Gaspar, a favor da prescrição da aposta no investimento público como instrumento privilegiado em programas de recuperação económica em contextos de grande incerteza. Publicada no seu «Fiscal Monitor» de Outubro passado, o FMI conclui que em períodos de elevada incerteza, cada ponto percentual (1%) do PIB aplicado em investimento púbico tem como efeito:
  • Um crescimento de 2,7% no PIB global;
  • Pode originar, através do multiplicador, um aumento de 10% do investimento privado na economia, pelas expectativas e oportunidades reais que cria;
  • Finalmente, em matéria de emprego, cada milhão de dólares de investimento público em infraestruturas clássicas pode gerar entre 2 a 8 postos de trabalho, enquanto que o investimento o efetuado em I&D, na eletricidade verde ou nos edifícios eficientes, pode induzir 5 a 14 postos de trabalho.
Este potencial multiplicador bastante positivo, avisa o FMI, dependerá da qualidade dos projetos públicos e da forma como forem executados, bem como das condições de endividamento do país, e sobretudo das empresas, que possam obstaculizar a resposta do setor privado ao estímulo económico.
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Leia a intervenção na íntegra