Saltar para conteúdo

Intervenções

2020-11-27 às 19h42

Intervenção do Ministro da Administração Interna na inauguração do quartel dos Bombeiros Voluntários de Ourique

Este é um tempo em que, sem deixar de acorrer a tudo aquilo que são as suas funções tradicionais, os bombeiros responderam também, desde março, àquilo que são as exigências da pandemia que, inesperadamente, assolou Ourique, Portugal e o mundo.

Os bombeiros portugueses, os homens e mulheres que nas estruturas de bombeiros voluntários dão o melhor de si ao serviço da comunidade, responderam de uma forma invulgarmente positiva. 

Correspondendo sempre àquilo que é o melhor da confiança que os portugueses têm nos seus bombeiros voluntários, nunca deixaram de responder àquilo que é o seu modelo de intervenção singular. Continuaram a apoiar o transporte não urgente de doentes - em que são responsáveis por 85% da resposta que é dada. Mas acrescentaram a essa resposta toda a resposta no quadro da pandemia. Não deixaram de corresponder àquilo que são os riscos de incêndios rurais, de resposta relativamente à sinistralidade rodoviária, relativamente a todo o tipo de riscos com os quais são confrontados. E fizeram-no com pleno respeito pelas regras de segurança sanitária, de segurança pessoal, que nos permitem dizer que, ao longo de toda esta pandemia, são verdadeiramente excecionais os casos em que a pandemia afetou a operacionalidade dos corpos de bombeiros.

Os bombeiros portugueses voltaram a responder de forma exemplar, enquanto coluna vertebral do sistema de proteção civil, ao risco de incêndio rural. Risco que, agora que o ano está a terminar e a chuva marca os nossos dias, é muito fácil dizer que foi menor porque o tempo ajudou. Não, não é verdade. As alterações climáticas determinam um aumento significativo do risco de ocorrência de incêndio rural e, sobretudo, de existência de ocorrências com particular gravidade. Foi isso que se verificou este ano, quer durante o mês de julho - que foi o julho mais quente desde 1931 - quer durante a primeira quinzena de setembro, em que se concentraram fenómenos atmosféricos particularmente difíceis, suscetíveis de determinar a eclosão de incêndios de grande dimensão. Mas, mais uma vez, o sistema de proteção civil - e, dentro dele, os bombeiros voluntários - respondeu presente, com eficácia, com dedicação, com um sentido de profissionalismo que nos permitiu, pelo terceiro ano consecutivo, ter uma redução muito significativa das ocorrências - cerca de 50% da média dos últimos 10 anos e uma redução em cerca de 51% da área ardida, face à média dos últimos 10 anos. E, mais importante do que isso, pelo terceiro ano consecutivo é possível dizer que terminamos um período de combate a incêndios rurais virando a página relativamente ao trágico ano de 2017. Isto é, cumprindo plenamente a prioridade estratégica de salvar vidas e defender os bens das populações, sem nenhuma vítima civil. E é por isso
que os portugueses são ainda mais devedores do sacrifício extremo revelado pelos seus bombeiros.

Leia a intervenção na íntegra