Saltar para conteúdo

Intervenções

2021-03-24 às 9h32

Artigo do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros «Um mês de diálogo euro-africano sobre crescimento e transição»

«Hoje, a embaixada de Portugal no Senegal acolhe, a partir de Dacar, a primeira das 25 conferências a que chamámos "Green Talks" e que, ao longo do próximo mês, prepararão, em várias cidades africanas e europeias, o Fórum de Alto Nível União Europeia-África sobre Investimento Verde. Este Fórum terá lugar em Lisboa, no dia 23 de abril, em formato híbrido, combinando uma componente presencial e outra digital. É promovido pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia e pelo Banco Europeu de Investimento. Será um dos momentos mais importantes da nossa presidência, em que participarão ministros de países dos dois continentes, comissários da Comissão Europeia e da Comissão da União Africana, líderes empresariais e de organizações da sociedade civil.

O conjunto das conferências preparatórias e do Fórum constitui um processo, cujo objetivo é a mobilização de projetos, parcerias e disponibilidades financeiras para o crescimento em África. Só com crescimento do produto e do emprego será possível gerar os recursos indispensáveis para a satisfação das necessidades básicas das populações, a criação de oportunidades para os jovens, a estabilidade social e política ou o enfrentamento das causas profundas das migrações. Por isso, o desenvolvimento das economias africanas é do interesse de todos.

Mas as questões do crescimento são cada vez mais inseparáveis das questões da transição verde. Em particular em África, e por várias razões. Basta recordar que a África pertencem os quatro países do mundo mais afetados pelas alterações climáticas (entre os quais, Moçambique) e sete dos dez mais afetados; que a provisão de água para o consumo humano e a produção agroalimentar desceu, em várias nações africanas, a níveis verdadeiramente dramáticos; ou que é igualmente preocupante a extrema dependência em que se encontram múltiplos países face ao petróleo e ao gás ou a outras formas de economia extrativista. Todavia, África é responsável por menos de 5% do total mundial das emissões de carbono, e tem abundância de fontes renováveis de energia, do solar à eólica, à hídrica ou à geotermal. Há, pois, aqui um tema de justiça e outro de racionalidade; temos ambos, o problema e a solução, ao alcance das nossas mãos».

Leia a intervenção na íntegra
Tags: Europa, África