Saltar para conteúdo

Intervenções

2021-07-19 às 10h13

Artigo do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros «A CPLP, comunidade de pessoas»

Seria, contudo, errado reduzir a CPLP à sua natureza de organização intergovernamental. Ela não é apenas uma associação de Estados, é também uma comunidade de povos. E é isso que explica a existência e desenvolvimento desta organização distribuída por quatro continentes, sem que nenhum membro seja territorialmente contíguo a qualquer outro.

O primeiro fator de afinidade é, sem dúvida, a língua comum. Língua de todos e de cada um, na variedade respetiva, e com o estatuto que cada um soberanamente escolheu, como a sua ou uma das suas línguas oficiais. A língua, que é o grande recurso comum, é também o construtor quotidiano de um sentimento de comunidade. Não só porque falarmos a mesma língua nos aproxima como também, e principalmente, porque partilhar uma língua é partilhar os pensamentos, as emoções, as tradições, os costumes, as criações, o conhecimento que nela se exprimem.

O segundo fator é a história. A história inteira, claro, incluindo as dimensões mais dolorosas. Mas a longa duração dos contactos deixou um lastro que é hoje uma das mais vivas expressões de comunidade. A forma como construímos o Estado e a administração, como formulámos o direito, como ocupámos o espaço, como fomos fazendo as praças, as escolas, os cultos, as cidades, as instituições, a maneira como, no fluxo dos encontros, fomos encontrando uma arquitetura civil e religiosa, um urbanismo, uma cultura material, uma gastronomia, uma maneira de ser e socializar que nunca foi única, mas sim plural e híbrida, e que nunca cristalizou, antes é dinâmica e evolutiva: tudo isso, na diversidade e plasticidade que lhe são intrínsecas, molda uma aproximação ao rés da vida quotidiana que é uma das grandes forças da comunidade que escolhemos formar.

Leia o artigo na íntegra
Tags: lusofonia