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Comunicados

2021-02-23 às 13h39

Ministra da Cultura lamenta morte do maestro José Atalaya

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamenta profundamente a morte do Maestro José Atalaya (1927-2021), diretor de orquestra, divulgador, compositor e crítico, cujo trabalho foi fundamental na divulgação e na criação de públicos informados para a música erudita.

Natural de Lisboa, foi aluno de Luís de Freitas Branco e, mais tarde, de Piero Bellugi e Pietro Grossi – em Florença –, tendo estreado nessa cidade a primeira peça do que pode ser considerado música eletrónica de um compositor português, "Variantes Rítmicas I sobre 4 sons sinusoidais" (1968).

Em 1951 inicia a sua ligação à rádio, ingressando na Emissora Nacional como assistente musical (programador de música de câmara), onde chefiou a secção de Música Portuguesa, secção responsável pela encomenda de obras a compositores portugueses. Do seu trabalho na rádio destaca-se também o seu papel na fundação da Antena 2 da RDP, que dirigiu. Foi autor de vários programas na RTP, desde a fundação da emissora até 1974, de que se destaca o programa Falando de Música (1968).

Desde 1975 assumiu a responsabilidade de direção ou coordenação artística das orquestras da RDP, do festival Quinzenas Musicais e da Orquestra Sinfónica do Porto. Foi designado membro do Conselho Português da Música (UNESCO) e conselheiro artístico da Lisboa, Cidade da Música (1980). Já na década de 1990 é convidado pela Secretaria de Estado da Cultura para criar a Orquestra Clássica do Porto. Dirigiu, ainda, na qualidade de maestro convidado, a Philarmonia Orchestra (1974, em festival por esta organizado em Portugal) e a Orquestra do Norte (1994-1995).

Com um percurso pioneiro, o trabalho do Maestro José Atalaya foi fundamental para a divulgação da música erudita, que sempre o preocupou e mobilizou, destacando-se, neste aspeto, a criação da Orquestra Clássica IMAVE (Instituto de Meios Audiovisuais da Educação). Com ela, organizou concertos comentados durante oito anos (entre 1966 e 1974), transmitidos pela Emissora Nacional e pela RTP e que tinham lugar em espaços tão diversos como o Teatro Nacional de S. Carlos, fábricas ou estabelecimentos de ensino. Esta iniciativa seria retomada em concertos com o nome de "Música em Diálogo".

Na divulgação da música portuguesa e da sua história, o Maestro José Atalaya orientou a publicação da série fonográfica Cinco Séculos de Música Portuguesa (1994-1998), obra patrocinada pela Secretaria de Estado da Cultura, e ainda hoje fundamental para o conhecimento e preservação do património musical nacional.

O legado do Maestro José Atalaya representa um serviço público de excelência na divulgação e promoção da música erudita, levando a música onde as pessoas estavam, numa postura pedagógica e didática que quebrou barreiras, criou escola e informalizou o acesso à cultura.

À família e amigos enviam-se sentidas condolências.

Graça Fonseca
23 de fevereiro
Tags: música
Áreas:
Cultura