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Comunicados

2020-06-09 às 14h41

Esclarecimento sobre reciclagem

A ZERO insiste em misturar conceitos e taxas de reciclagem. Num comunicado emitido esta terça-feira, a associação ambientalista retoma um tema já amplamente discutido em fevereiro de 2020, insistindo em confundir conceitos e taxas de reciclagem.

Importa esclarecer que o Ministério do Ambiente e da Ação Climática nunca referiu que só existiam 163 mil toneladas de resíduos de embalagens de plástico nos resíduos urbanos. Este valor corresponde sim ao universo de embalagens de plástico declaradas às 3 entidades gestoras de resíduos de embalagens como colocadas no mercado.
A realidade de hoje nada se alterou à conhecida em fevereiro.

Relembremos então que foi dito:

«Em 2018, a quantidade de embalagens de plástico colocadas no mercado declaradas pelas três entidades gestoras (Sociedade Ponto Verde, Novo Verde e Eletrão) foi de 163 039 toneladas, sendo que a quantidade reciclada que é declarada pelas mesmas três entidades foi de 72 360 toneladas. Estes números resultam numa taxa de reciclagem de embalagens de plástico de 44,3% em 2018.

Os números da Zero refletem um exercício distinto. Partem do valor total de produção de resíduos urbanos em Portugal em 2018 – 4,95 Milhões de toneladas aproximadamente – e aplicam os dados da caracterização física dos resíduos, em que se considera 11,5% serem plásticos, o que inclui não só embalagens, mas todo o tipo de plástico. Chegam assim a um valor de cerca de 600 mil toneladas. Mas, para calcular a "taxa de reciclagem", a ZERO utiliza a quantidade de embalagens de plástico recicladas».

Mesmo que agora se substitua os 11,5% pelos 9,2%, continuamos a falar de estimativas e de aproximações que podem distorcer a realidade dos números. A conclusão, por isso,  é a mesma, ou seja, as duas abordagens de cálculo não se substituem, sendo que o método de cálculo da ZERO não pode ser considerado como referencial para traduzir o esforço da reciclagem de embalagens de plástico em Portugal, nem o é ao nível da União Europeia.

Os problemas referenciados no anterior comunicado de imprensa, designadamente a dificuldade quanto ao cálculo da quantidade de plástico nos resíduos urbanos, o facto do peso do plástico que inclui o peso dos contaminantes presentes, ou o facto de que nem todos os embaladores declaram efetivamente as quantidades de embalagens colocadas no mercado, mantém-se.

É por esta razão que o Ministério do Ambiente e da Ação Climática tem vindo a trabalhar em várias frentes. A mais recente é a elaboração de um estudo com vista a caracterização das embalagens para que o universo seja bem conhecido e, a partir dessa base, se possa então corrigir o que tiver de ser corrigido; ao nível dos contaminantes, e de conhecer o seu real impacte no peso dos resíduos está previsto no PERSU2020+ a realização de um estudo com vista à sua caracterização e em simultâneo e em parceria com o Ministério da Economia e da Transição Digital no sentido de os produtores cumprirem com a sua obrigação legal de declaração, num combate aos free-riders.