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2017-11-14 às 19h13

«O que é impressionante, é que já há empresas que retomaram a laboração» depois dos incêndios

Reconstrução de empresas e casas em Oliveira de Frades e Vouzela
Primeiro-Ministro António Costa e Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, visitam casas destruídas pelos incêndios já em reconstrução, Vouzela, 14 novembro 2017 (foto: Paulo Vaz Henriques)
O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que «o que é impressionante, neste momento, é que já há empresas que retomaram a laboração, empresas que estão a lutar e a conseguir manter os seus postos de trabalho e casas que estão a ser reconstruídas» um mês depois dos incêndios de 15-16 de outubro.

O Primeiro-Ministro visitou a empresa de construções em madeira e de mobiliário Toscca, em Oliveira de Frades, que ardeu na totalidade, sofrendo um prejuízo de 10 milhões de euros, mas já retomou a laboração com 31 dos seus 52 trabalhadores em instalações emprestadas.

«Esta empresa que vimos ali com os ferros todos retorcidos está aqui a renascer, com novo equipamento a ser instalado, já a laborar e com uma determinação muito clara de até ao dia 15 de outubro do próximo ano estar a inaugurar novas instalações», disse, acrescentando que «há ainda uma empresa ao lado, a Carmo [do mesmo setor] que vai, em abril ou maio, estar a trabalhar em pleno em novas instalações».

«Graças ao esforço dos empresários, dos autarcas e também aos mecanismos de apoio que foram sendo construídos estamos a conseguir reconstruir», o País está a «mobilizar-se para a reconstrução», afirmou o Primeiro-Ministro.

«Reconstrução não começou hoje»

António Costa visitou também duas casas em reconstrução em Seixa e em Adsamo, concelho de Vouzela, que implicam investimentos de 110 e 40 mil euros, respetivamente.

«A reconstrução não começou hoje, a reconstrução está a verificar-se porque foram tomadas medidas que estão no terreno», disse o Primeiro-Ministro, acrescentando que os portugueses desejam que o Governo esteja «concentrado no essencial, que é reconstruir e repor a capacidade construtiva das empresas e os postos de trabalho».

A maior dificuldade é a dimensão da calamidade, que, só na região Centro, atingiu 36 concelhos, afetando mais de 2000 casas de primeira e segunda habitação, cuja reconstrução exige um esforço muito grande de recursos humanos e financeiros.

670 milhões 

O Primeiro-Ministro António Costa anunciou que o Orçamento de Estado para 2018 terá 670 milhões de euros afetos ao conjunto de atividades relacionadas com a reforma da floresta, prevenção e combate aos incêndios e apoio à reconstrução das áreas ardidas, durante a assinatura de protocolos com a banca para apoio à tesouraria das empresas afetadas pelos incêndios, em Vouzela.

«Trezentos e setenta milhões de euros já constavam da proposta inicial e 300 milhões de euros serão apresentados na fase da especialidade, que é o resultado do conjunto do esforço que vimos ser necessário mobilizar, seja para a reconstrução, seja para dar execução, em 2018, já de parte significativa da resolução do Conselho de Ministros do passado dia 21 de outubro», disse António Costa.

O Primeiro-Ministro sublinhou a necessidade de se conseguir responder, simultaneamente, aos desafios que se colocam: 

- «no horizonte do longo prazo, para entender o desafio das alterações climáticas», 

- «no horizonte do médio prazo, para responder às necessidades de revitalização do interior e ainda para podermos ter uma floresta mais ordenada», 

- e no de curto prazo, a resposta às necessidades de habitação e de reanimação da atividade económica.

António Costa disse também que «é reconfortante ver que a solidariedade se mantém», quase um mês depois da tragédia, e que «a capacidade de resposta no terreno é efetiva».

«Desde os autarcas, aos empresários, às populações, todos temos as mãos postas na obra para que se cumpra este nosso dever de reconstruir o País, de reerguer estes territórios», afirmou ainda.

Alargar apoio aos feridos graves

O Primeiro-Ministro disse ainda que o Governo vai «alargar o apoio às vítimas de ferimentos graves» dos incêndios, depois de ter dado prioridade às indemnizações às famílias de vítimas mortais.

«Já temos um sistema muito célere de apoio às vítimas mortais e a nossa intenção é alargar esse mecanismo aos feridos graves, visto que a comissão que foi constituída está em condições de, nas próximas duas semanas, concluir o relatório, apresentando os critérios das indemnizações das vítimas mortais e de fazer o mesmo em relação aos feridos», acrescentou.