Grandes europeus como Mário Soares são um exemplo edificante «num tempo de mudanças e perplexidades» - XXI Governo - República Portuguesa

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2018-01-31 às 12h54

Grandes europeus como Mário Soares são um exemplo edificante «num tempo de mudanças e perplexidades»

Primeiro-Ministro António Costa escuta o ex-Presidente do Governo de Espanha, Felipe Gonzalez, na homenagem do Parlamento Europeu a Mário Soares, Bruxelas, 31 janeiro 2018 (Foto: Paulo Vaz Henriques)
«Num tempo de mudanças, dificuldades e perplexidades os grandes europeus e o seu exemplo edificante são um património» que deve ser valorizado, afirmou o Primeiro-Ministro António Costa na cerimónia de homenagem a Mário Soares no Parlamento Europeu, em Bruxelas, que incluiu a inauguração de uma sala com o seu nome. 

O Primeiro-Ministro afirmou a justeza de juntar o nome de Mário Soares, «merecidamente, no Parlamento Europeu aos nomes de outros europeus ilustres, como Konrad Adenauer, Altiero Spinelli, Willy Brandt e Simone Veil, de alguns dos quais foi amigo».

«Soares via na Europa Unida uma das mais admiráveis construções políticas e morais da história humana, de que os cidadãos e os povos europeus tinham o direito, e até o dever, de se orgulhar. Por isso, odiava a Europa dos burocratas e dos tecnocratas, a dos resignados e a dos conformistas, a dos financistas e a dos cínicos, a dos céticos e a dos desistentes», disse António Costa. 

Enraizar Portugal na Europa

O Primeiro-Ministro recordou o percurso de Mário Soares, no seu papel de resistente à ditadura e à «radicalização da Revolução (do 25 de Abril de 1974) e à tentação totalitária que a acompanhava».

E sublinhou que «no desempenho dos mais altos cargos - secretário-geral do PS, dirigente da Internacional Socialista, Primeiro-Ministro, Presidente da República - o grande e permanente objetivo de Soares foi instituir, consolidar, aprofundar e enraizar em Portugal, sem ambiguidades, adiamentos ou álibis, uma democracia europeia, civilista, pluralista, pluripartidária e desenvolvida». 

«Soares conseguiu e isso foi um grande feito. Ganhou ele, ganhou Portugal, ganhou a Europa», disse, acrescentando que «com uma ousada visão estratégica, que não vacilou um instante, foi Soares quem subscreveu, logo em 1977 o pedido de adesão de Portugal à então CEE. Foi ainda ele que, em 1985, logrou concluir as negociações e assinar o Tratado de Adesão».

Europa à altura da sua tradição

António Costa sublinhou que «se Soares lutou sempre por um Portugal europeu, lutou e militou também sempre por uma Europa moderna que esteja à altura da sua melhor tradição e dos altos desígnios dos seus pais fundadores».

«Ao longo dos anos, Mário Soares esteve entre os políticos europeus que mais falaram e escreveram sobre a Europa. Os seus escritos testemunham as suas alegrias e os seus apelos, as suas euforias e as suas preocupações, as suas advertências e as suas deceções, as suas propostas e as suas indignações», disse. 

O Primeiro-Ministro destacou que «Soares foi um militante da Europa», tendo mesmo sido deputado ao Parlamento Europeu (1999-2004), depois de ter sido Presidente da República.

António Costa agradeceu «como português e cidadão europeu, e em nome do Governo português e de Portugal, esta homenagem» à «memória de um grande homem, de um grande português, de um grande europeu e de um grande cidadão do mundo».

«Estamos muito reconhecidos aos que dela tiveram a iniciativa e a todos os que a tornaram possível», disse. 

«Portugal tem muito orgulho em Mário Soares, e sabemos que a Europa a que, em grande parte graças a ele, pertencemos e que ele ajudou a construir, partilha connosco este orgulho reconhecido e inspirador», concluiu.