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Intervenções

2018-12-17 às 19h12

intervenção da Ministra da Justiça «77 palavras contra a discriminação racial»

Estamos aqui, reunidos, na Biblioteca de Marvila, para celebrar um facto muito importante, eu diria mesmo essencial, para as nossas vidas e para as vidas das gerações futuras; para manifestarmos um ideal, um compromisso que assumimos.

Estamos aqui para dizer que acreditamos que todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, sem distinção de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento, ou de qualquer outra situação.

Estamos aqui e reafirmamos que devemos agir uns para os outros com espírito de fraternidade.

Assim nos incita a Declaração Universal do Direitos Humanos de que celebramos o septuagésimo aniversário. Esta Declaração é um dos textos mais traduzidos em todo o mundo e num maior número de línguas – ganhou até o prémio Guinness World of Records – mas o mesmo não se pode dizer quanto à sua aplicação.

Os direitos reconhecidos nem sempre foram os mesmos para todos os povos; nem sempre foram os mesmos para todos os grupos sociais…

Apesar de comemorarmos em 2018 o 70º aniversário da Declaração e os 40 anos de adesão de Portugal à CEDH, continuamos a assistir a fenómenos de discriminação em razão da raça.

E, no entanto, como recordava o reverendo Sul africano, Desmond Tutu, grande lutador contra o apartheid e pela paz social, "o que é que a cor da pele, ou a etnia, nos podem dizer acerca de uma pessoa? Da sua bondade, da sua retidão, da sua inteligência? Nada! Absolutamente nada! O nosso valor é parte integrante do que somos e não depende de nada que nos seja extrínseco, como a raça, a etnia, ou o sucesso económico".

Ou, como disse Marther Luther King: a questão mais importante a respeito de um homem não é a cor da sua pele ou a textura do seu cabelo, mas a textura e a qualidade da sua alma.
Tags: igualdade