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Intervenções

2019-02-11 às 17h13

Artigo do Ministro dos Negócios Estrangeiros «Da arte de ser versátil»

A política europeia do Governo decorre de duas escolhas fundamentais. 

A primeira é a combinação entre o respeito pelos compromissos da Zona Euro e uma política alternativa à receita austeritária, assegurando o retorno à normalidade constitucional, ao crescimento económico e à melhoria das condições de vida. A saída do procedimento por défices excessivos, a redução da dívida, do desemprego, da pobreza e das desigualdades e o aumento do investimento e das exportações resultam dessa opção, culminando na eleição de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo.

Não menos importante é a segunda escolha. Portugal abandonou a subordinação militante às determinações da ortodoxia orçamental (recorde-se o "ir além da troika"), para alargar a sua intervenção europeia a todos os domínios relevantes da União, do pilar social ao Estado de direito, da política externa e de defesa à ciência e tecnologia, da moeda única à coesão, da questão dos refugiados à das migrações. Hoje, somos reconhecidos não apenas como um bom exemplo do ponto de visto económico, financeiro, de estabilidade e cultura cívica democrática, mas também como defensores coerentes da unidade e valores europeus, da abordagem humanista dos fluxos de refugiados e migrantes, da transição energética, da parceria com África e América Latina e das grandes agendas multilaterais. Fala-se, a justo título, de um eixo motor que vai de Lisboa a Berlim, passando por Madrid, Paris e outras capitais, e do protagonismo do nosso primeiro-ministro.

Para que isto seja possível, há que romper com a lógica geográfica ou ideológica de blocos contrapostos. Como temos dito e praticado, as divisões Norte/Sul ou Leste/Oeste e os alinhamentos sobreterminados por afinidades políticas agravam as diferenças e dificultam o processo de decisão, impedindo as mudanças necessárias. Só evitando os preconceitos, compreendendo as razões uns dos outros e procurando áreas de consenso conseguiremos prosseguir na agenda europeia.

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