Desporto escolar, 19 maio 2017
 
2017-05-19 às 21:31

PORTUGAL AINDA TEM FALTA DE EMPREGO QUALIFICADO PARA ABSORVER OS RECURSOS HUMANOS QUE FORMA

«O que nós temos ainda a menos é o necessário emprego qualificado que seja capaz de absorver toda a qualidade dos recursos humanos que o País tem formado», Afirmou o Primeiro-Ministro António Costa na inauguração do Complexo Desportivo do Instituto Superior da Maia, no âmbito de uma deslocação ao distrito do Porto.

O Primeiro-Ministro recordou que «houve um tempo, felizmente curto, onde se teve a ilusão de que tínhamos licenciados a mais – nós não temos licenciados a mais, nós não temos mestrados a mais, nós não temos doutorados a mais».

«Se hoje podemos atrair mais e melhor emprego, se hoje podemos ter mais investimento, se hoje podemos crescer mais é, essencialmente, graças à qualidade dos nossos recursos humanos», afirmou ainda.

Investimento na qualificação

Sublinhando que o investimento na qualificação é a chave para o futuro do desenvolvimento do País, António Costa acrescentou que o esforço da qualificação tem de começar mais cedo.

Por isto, o investimento que se faz no ensino, seja no pré-escolar, no básico, no secundário ou no superior, é o investimento que gera maior valor acrescentando na sociedade e é preciso para continuar a formar as novas gerações cada vez mais qualificadas que a sociedade e o mundo exigem.

«Aquilo que podemos ter a certeza é que aquilo que hoje sabemos não será suficiente para aquilo que teremos de saber amanhã», disse.

O Primeiro-Ministro referiu que sempre que pergunta a um empresário por que razão investe em Portugal a resposta é sempre a «qualidade e excelência» da mão-de-obra.

«Esse é o nosso grande fator diferenciador para que empresas estrangeiras escolham sistematicamente o nosso País para se instalarem», disse.

Importância do Turismo 

O Primeiro-Ministro destacou a importância do turismo na economia nacional, referindo que o crescimento do emprego em 2016 se deveu muito ao crescimento da atividade turística, durante uma visita à Igreja e Torre dos Clérigos, no Porto, considerada o ex-libris da cidade.

«O turismo tem importância pela atividade económica que gera, pelo peso que tem nas exportações e pelo efeito multiplicador na criação de emprego», afirmou António Costa.

Todavia, «ouço excessivas vezes dizer que temos tido sorte no crescimento do turismo, como se o turismo que tem crescido em Portugal resultasse do infortúnio que tem afetado outros destinos turísticos».

Se porventura há destinos no País de virados para o sol e praia, que terão beneficiado da instabilidade política e da insegurança existente noutras regiões, quem visita o Porto não o faz pelo sol e a praia, afirmou.

Fá-lo, sim, pela «vitalidade notável, pelo património de grande riqueza, pela gastronomia que oferece, pelo acolhimento caloroso e amigável, afirmando-se por si próprio como um destino de grande importância turística».

Por esse motivo, o Primeiro-Ministro frisou a importância da conjugação de esforços por parte do Estado, dos municípios, das regiões de turismo e da igreja para que Portugal continue a ser um grande destino turístico.

Elogiando a vitalidade que o Porto ganhou nos últimos anos, António Costa disse que a cidade se tornou-se indiscutivelmente um dos grandes fatores de atratividade do turismo nacional.

«Continuar a pedalar»

O Primeiro-Ministro afirmou que as boas notícias sobre a economia portuguesa não o fazem ficar descansado porque «se a bicicleta está a andar, nós temos de continuar a pedalar para ela continuar a andar».

«O País tem tido felizmente nos últimos tempos boas notícias em matéria de evolução da sua situação económica. Neste primeiro trimestre do ano crescemos como há muito tempo não crescíamos. Tivemos o défice mais baixo desde que somos um país democrático. Mas não podemos ficar descansados. Temos de encontrar ânimo acrescido para fazer mais e melhor», disse ainda.

António Costa, que falava na cerimónia de lançamento da primeira pedra do intercetor do Rio Tinto, em Gondomar, afirmou que para Portugal continuar a crescer tem de aumentar o investimento dando condições ao investimento privado e acompanhando-o de investimento público.

«Por isso, demos prioridade à execução dos fundos comunitários», referiu, enumerando seguida «os investimentos de qualidade» que testemunhou na visita ao distrito do Porto, e que incluíram a abertura oficial do alargamento do sublanço Carvalhos–Santo Ovídio na A1, a inauguração de instalações desportivas do Instituto Universitário da Maia, o assinalar do primeiro Concelho país com iluminação pública 100% LED, em Lousada, e a visita à Igreja dos Clérigos, no Porto.

Descentralização

O Primeiro-Ministro afirmou-se «um férreo defensor da descentralização», que é «a pedra angular de uma verdadeira reforma do Estado».

«Quem está mais próximo das pessoas e mais próximo dos problemas tem uma maior capacidade de resolver os problemas do que quem está à distância. Ao Estado o que é do Estado, aos municípios o que é dos municípios, às freguesias, o que é das freguesias», disse.

«Se todos tivermos mais recursos para fazer o que cada um está em melhores condições de fazer, seguramente o País fica em melhores condições e terá uma administração pública mais eficiente, menos burocrática e que presta melhor serviço às populações», concluiu.

Depois da cerimónia em Rio Tinto, António Costa ainda participou na sessão de abertura dos Campeonatos Nacionais de Desporto Escolar que junta até dia 20 em Gondomar cerca de 2800 atletas, quase 300 professores e 408 alunos voluntários.

Serão disputadas 14 modalidades desportivas em 16 locais diferentes de competição, estando representadas todas as regiões do País.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa durante a inauguração dos campeonatos nacionais de desporto escolar, Gondomar, 19 maio 2017

Tags: primeiro-ministro, qualificação, emprego, investimento, turismo, descentralização, portugal 2020, desporto

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