Forças nacionais destacadas, 12 fevereiro 2017
 
2017-02-12 às 23:42

PRIMEIRO-MINISTRO VISITA TROPAS PORTUGUESAS QUE APOIAM PACIFICAÇÃO DA REPÚBLICA CENTRO AFRICANA

O Primeiro-Ministro António Costa visitou os militares portugueses que apoiam a pacificação da República Centro Africana integrados nas missões das Nações Unidas e da União Europeia, e que estão aquartelados na capital do país, Bangui, numa visita que se prolonga até 13 de fevereiro.

A República Centro Africana, um dos países mais pobres de África, entrou em guerra civil em 2013, tendo as missões internacionais chegado em 2014 e permitido alguma estabilização política e social, mas havendo ainda várias regiões muito inseguras. Esta situação causou milhares de mortos e cerca de um milhão de refugiados.

O Primeiro-Ministro afirmou que a visita pretende «transmitir uma mensagem de apreço e de confiança que o Governo e os portugueses têm nas suas Forças Armadas, em particular no regimento de Comandos», que constitui a força de combate, e mostrar «a importância desta missão para suportar as opções estratégicas da política externa do Estado português».

Combater o terrorismo e as causas das migrações

António Costa atribuiu à participação portuguesa na Missão Integrada Multinacional de Estabilização das Nações Unidas na República Centro Africana e na Missão de Treino da União Europeia na República Centro Africana um duplo significado.

Em primeiro lugar, «todos nós vemos diariamente na Europa o drama que é a busca de refugiados vindos do continente africano à procura de proteção. A melhor forma de proteger as pessoas é assegurar que nos territórios de origem há paz, há um Estado democrático e há desenvolvimento, que diminui na raiz as causas profundas da busca de proteção», referiu.

Em segundo lugar, «numa missão de solidariedade de apoio ao combate ao terrorismo internacional», pois Portugal participa na missão da ONU em resposta ao apelo de França, após os atentados terroristas em Paris em novembro de 2015, para que os militares franceses na República Centro Africana fossem substituídos para poderem ser enviados para o combate direto ao grupo extremista Estado Islâmico.

«Ajudar a estabilidade do continente africano, para combater nas causas aquilo que está na origem da vaga de refugiados, ajudar a combater o terrorismo internacional, servir as organizações multilaterais de que fazemos parte, como as Nações Unidas e a União Europeia, é uma missão que nos honra e que, graças ao profissionalismo e à enorme capacidade das nossas Forças Armadas, Portugal tem condições de desempenhar», sublinhou.

Governo centro africano quer regresso de empresários portugueses

À chegada a Bangui, o Primeiro-Ministro, que é acompanhado pelo Ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, e pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, foi recebido pelo Primeiro-Ministro, Simplice Mathieu Sarandji, e pelo Ministro da Defesa, Joseph Yakete, com quem abordou o aprofundamento das relações bilaterais.

Na reunião, o Primeiro-Ministro centro africano referiu ao homólogo português que a presença de portugueses é antiga - «durante muitos anos grande parte do comércio local era assegurada por portugueses» - e «manifestou um grande desejo de que os empresários portugueses regressem à República Centro Africana».

O Primeiro-Ministro português afirmou ter «esperança de que, uma vez estabilizado o país, tenhamos aqui outras condições para desenvolver a nossa atividade, porque a nossa relação com África não se esgota, obviamente, nos países de expressão oficial portuguesa, mas é uma relação de vizinhança que queremos cultivar com todos os países africanos».

Na segunda-feira, o Primeiro-Ministro reúne-se com o representante do secretário-geral das Nações Unidas na República Centro Africana, Parfait Onanga-Anyanga, e com o comandante militar da Missão da ONU, Balla Keita, e visita o quartel-general da missão da União Europeia.

A deslocação aos aquartelamentos e os contactos com as autoridades nacionais da República Centro Africana e com os responsáveis das duas missões são muito importantes para que o Governo português possa «estar confiante em que esta é uma missão que as Forças Armadas estão em boas condições para desempenhar, num contexto que é difícil, de risco elevado e é uma responsabilidade muito pesada», disse o Primeiro-Ministro.

Prestígio das Forças Armadas portuguesas no mundo

No jantar que teve com os militares portugueses – 160, dos quais 110 comandos, na Missão das Nações Unidas e 11 na missão da União Europeia - António Costa afirmou que a participação portuguesa na missão da ONU será «mais um marco no grande contributo que têm dado para o prestígio das Forças Armadas portuguesas no mundo».

A maioria das tropas portuguesas chegou a Bangui a 17 de janeiro, estando a preparar-se para iniciar operações para pacificar as regiões onde ainda há instabilidade, em missões que o Primeiro-Ministro classificou como de risco elevado.

O Primeiro-Ministro deixou «uma palavra muito particular de apreço aos elementos dos comandos que integram as unidades de combate». «Os comandos são uma tropa de elite das Forças Armadas portuguesas de há muitas dezenas de anos, que há muitas dezenas de anos orgulham Portugal e as Forças Armadas portuguesas e continuarão a ser um motivo de orgulho das Forças Armadas Portuguesas».

Além dos 90 comandos, a participação portuguesa na missão da ONU inclui também apoio e serviços e uma equipa de controlo aéreo da Força Aérea Portuguesa com quatro militares.

Os 11 militares da Missão de Treino da União Europeia, presentes desde julho de 2016, apoiam as autoridades centro africanas nas áreas de defesa, segurança, planeamento de operações, instrução e gestão das Forças Armadas do país, sendo composta pelos três ramos das Forças Armadas portuguesas.

A missão da UE tem por objetivo aconselhar as autoridades militares da República Centro-Africana, nomeadamente na profissionalização das Forças Armadas, tornando-as etnicamente representativas e colocando-as sob controlo democrático.

 

Foto: Primeiro-Ministro António Costa conversa com militares portugueses que apoiam pacificação da República Centro Africana, Bangui, 12 fevereiro 2017 (Foto: Paulo Vaz Henriques)

Tags: primeiro-ministro, áfrica, forças nacionais destacadas, cooperação, migração, terrorismo, Forças Armadas

INTERVENÇÕES

DOCUMENTOS

COMUNICADOS

CONTACTOS

Entrar em contacto