Visita oficial à Índia, 11 janeiro 2017
 
2017-01-11 às 16:42

HISTÓRIA COMUM ENTRE PORTUGAL E ÍNDIA DEVE SERVIR PARA ABRIR PORTAS A PARCERIA DE FUTURO

O Primeiro-Ministro António Costa afirmou que o Governo da Índia atribuiu à sua visita de Estado «um elevado nível político», ao fazer a visita coincidir «com o grande congresso da diáspora indiana em Bangalore», à sua chegada a Goa, no quinto dia da sua visita oficial à Índia, em que foi acompanhado pelos Ministros da Cultura, Castro Mendes, e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

O Primeiro-Ministro referiu também que «a forma como Portugal participou na terça-feira no grande fórum económico da Índia com o mundo, que é o Gujarate Vibrante, constituiu outro sinal evidente» da importância política que a Índia atribui hoje à sua relação com Portugal.

Acerca da sua visita a Goa, António Costa referiu «um caráter simbólico», uma vez que é a primeira vez que um Primeiro-Ministro português visita Goa, e que «os goeses conseguiram uma síntese notável entre aquilo que era a herança indiana, aquilo que os portugueses trouxeram e, ainda, aquilo que conseguiram reinventar».

O primeiro dos dois dias de visita a Goa começou com uma reunião com o Ministro-Chefe do Estado de Goa (o chefe do Governo estadual), Laxmikant Parsekar, no Consulado Geral de Portugal, seguindo-se um encontro com a Governadora (representante do Governo da Índia) Mridula Sinha, no Palácio do Governador.

Investigação oceanográfica

O Primeiro-Ministro visitou também o Instituto Oceanográfico Nacional, tendo afirmado que um dos seus objetivos na visita a Goa é desenvolver a cooperação entre Portugal e a Índia  na investigação oceanográfica, designadamente no campo da robótica.

Esta cooperação já existe há 15 anos entre o Instituto Oceanográfico da Índia, em Goa, e o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

António Costa acrescentou que Portugal pretende desenvolver e aprofundar relações com a Índia no que concerne ao estudo do mar profundo: «Portugal tem uma das maiores plataformas continentais do mundo. A política do mar é uma área de grande futuro para Portugal e esta cooperação com Goa poderá ser absolutamente estratégica», disse.

Valorizar a herança comum

É também objetivo da visita a Goa «contribuir para a preservação de uma herança cultural comum, que está expressa em vários sinais da arquitetura e em diferentes manifestações culturais», sendo «preciso continuar a estreitar e desenvolver esse quadro de relações. Estamos agora concentrados no futuro e queremos valorizar essa herança comum».

A história comum entre Portugal e Goa deve servir para abrir portas a uma parceria de futuro e não fixar-se apenas na memória do passado, afirmou o Primeiro-Ministro na cerimónia de inauguração das novas instalações do Centro da Língua Portuguesa e na homenagem por representantes da sociedade civil goesa no Palácio do Idalcão (ou Adilxá), em Pangim.

O Primeiro-Ministro afirmou que o seu objetivo político não é reviver o passado de Portugal em Goa, mas projetar a herança cultural comum: «Devemos tirar partido da nossa História comum para abrir portas para uma parceria do século XXI».

Língua portuguesa

No Centro da Língua Portuguesa, António Costa sublinhou «o caráter global da língua portuguesa», que «será em breve falada por 360 milhões de pessoas, em todos os continentes», pelo que «é uma ferramenta para a globalização».

«A língua não serve somente para manter viva a memória do passado, mas igualmente para nos projetar para o futuro. Assim, Portugal ficará mais perto da Índia e a Índia mais próxima de todo o mundo», acrescentou, referindo que a Índia será uma das potências emergentes que estará na liderança do processo de globalização no século XXI.

Na cerimónia com a sociedade civil, foi também homenageado o pai de António Costa, Orlando Costa, nascido em Goa, através do lançamento em língua inglesa da sua obra «Sem flores nem coroas» - uma peça de teatro que aborda o último dia do poder colonial português em Goa, em dezembro de 1961.

«O meu pai saiu de Goa, mas Goa nunca saiu dele: Goa esteve sempre presente nos seus trabalhos», disse.

 

Foto: Primeiro-MInistro António Costa com a Governadora do Estado de Goa, Mridula Sinha, Goa, 11 janeiro 2017 (Foto: Tiago Petinga/Lusa)

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