«A nossa credibilidade é a nossa margem de manobra. É essencial
que Portugal seja visto como parte da solução do problema, e não
parte do próprio problema, para o qual não apresente solução»,
afirmou o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo
Portas, na sua intervenção no debate do estado da Nação, na
Assembleia da República.
Centrando a sua intervenção em algumas questões essenciais, o
Ministro referiu ser que Portugal está hoje bem mais longe do
precipício à beira do qual se encontrava há um ano, acrescentando
que «é notável o esforço que os portugueses têm feito».
Em seguida, Paulo Portas afirmou que «se todas as instituições
internacionais dizem que o País está no bom caminho, não faz
sentido pensarmos o oposto. Temos o maior orgulho na atitude
própria de Portugal e dos portugueses face à crise que vivemos
também na Europa», pelo que é possível dizer que a situação
financeira portuguesa melhorou.
Face às propostas para desistir neste momento de cumprir o
programa de assistência económica e financeira, o Ministro
sublinhou: «Não creio que seja prudente fazê-lo. Já foram feitas
quatro das nove etapas de avaliação, sendo que todas até agora
foram positivas». Paulo Portas referiu ainda a importância de
reformas estruturais que o Governo fez ao longo deste ano,
exemplificando com a flexibilização das leis laborais e com a nova
lei da concorrência.
«Reformar é o único caminho para Portugal ser mais inovador»,
afirmou o Ministro, acrescentando que a melhor maneira de ajudar os
desempregados e os mais pobres é «garantindo que o crescimento
económico chegue em 2013, criando condições de emprego».
«Os portugueses sabem que foi o Estado que criou este problema e
que a nossa dignidade depende de um esforço que não pode fracassar,
ou ganhamos ou perdemos todos. É por isso que não vale a pena
exacerbar divisões, mas todos os dias ter uma prática de diálogo
social para resolver problemas importantes».
Paulo Portas afirmou também que «o que mais precisamos é de uma
nação que se une na sua atitude, que valorize o melhor do seu
potencial, numa palavra, de uma nação que se exprima com uma
indomável vontade de vencer esta crise».
E concluiu: «Os portugueses que trabalham e os portugueses que
sofrem são os mais realistas: querem que este período termine o
quanto antes e que Portugal seja um país solvente e atraente. O
realismo pode resolver os problemas de Portugal, a utopia não
resolverá certamente».