O Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar,
afirmou que um dos maiores desafios que Portugal tem pela
frente é «o financiamento da economia portuguesa» uma vez que
«acumulámos durante mais de uma década níveis de endividamento
excessivos», na tomada de posse da nova Mediadora de
Crédito, Maria Clara Machado.
O MInistro referiu o caso das famílias portuguesas, cuja
«dívida financeira atingiu em 2009 aproximadamente 130% do
rendimento disponível» ainda que desde então se tenha verificado
uma «diminuição deste rácio que se situava em 126% no final de
Junho de 2011, segundo estimativas do Banco de Portugal».
Em matéria de poupança, o Banco de Portugal registou, em 2009,
um aumento da taxa para 10,9%, valor que diminuiu para 8,1% em
junho de 2011. Trata-se de «um valor baixo quando comparado com as
taxas de poupança dos restantes países europeus», acrescentou Vítor
Gaspar.
Perante estes dados, o Ministro de Estado e das Finanças
afirmou que «é decisivo o aumento da poupança» e que «a diminuição
do endividamento das famílias é inevitável» mas «infelizmente
os incentivos à poupança têm sido insuficientes».
Sobre a atividade de mediação entre clientes bancários e
instituições de crédito, trata-se de «uma aposta transversal do
Governo em diferentes áreas, como o mercado de trabalho ou sistema
judicial, e que visa simultaneamente acelerar a resolução de
problemas de menor escala ao mesmo tempo que contribui para reduzir
a pressão no número de pendências nos tribunais».
Entre as competências atribuídas ao Mediador de Crédito, o
Ministro destacou a «necessidade de conciliar a diminuição do
endividamento das famílias com o respeito dos direitos dos
consumidores que procuram acesso ao crédito» e «a promoção da
literacia financeira dos portugueses». Citando a OCDE,
«uma sociedade mais preparada financeiramente é também uma
sociedade com maiores níveis de bem-estar».