A Secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, afirmou que
a atribuição de fundos públicos deve reger-se por critérios
exclusivos de qualidade e que, num período de «forte instabilidade
económica, social e financeira» importa procurar «ativamente fundos
de financiamento alternativos aos fundos nacionais da Fundação para
a Ciência e Tecnologia (FCT)».
«É previsível a reduzida disponibilidade de fundos públicos num
período de sofrimento económico para o país», referiu Leonor
Parreira, acrescentando que «a própria alocação de fundos
comunitários, que são absolutamente essenciais para o sistema de
ciência e tecnologia, está sob forte competição interna».
Durante o encontro Ciência 2012: Portugal - Caminhos de
Excelência em Ciência e Tecnologia, que decorreu na Gulbenkian, em
Lisboa, a Secretária de Estado divulgou dados recentes que indicam
que Portugal angariou, entre 2007 e 2011, 300 milhões de euros
através do FP7, um programa da União Europeia destinado ao
financiamento e à internacionalização da investigação. Dos 300
milhões de euros angariados, o País recuperou apenas 65 por cento
da sua contribuição para aquele programa.
Assim, o financiamento médio por proposta portuguesa aprovada,
no âmbito do FP7, foi de 0,33 milhões de euros, um valor cerca de
40% inferior à média de outros países.
Leonor Parreira ilustrou estes valores referindo que, por cada
euro do FP7 que Portugal capta com o investimento, a Suiça capta os
5,3 euros.
Sobre o «crescimento quantitativo muito significativo» da
produção científica e tecnológica atual, a Secretária de Estado
referiu que o mesmo «não foi acompanhado de um investimento
equivalente, pelo que Portugal continua ainda com um baixo
investimento por investigador quando comparado com outros países de
referência».
Também o aumento da despesa nacional, nos últimos anos em
investigação e desenvolvimento (em 2010 foi de 1,59 em percentagem
do PIB), continua «abaixo da média da Europa dos 15, da OCDE e
muito abaixo de outros países de referência».
Leonor Parreira apelou ainda para um «esforço coletivo para uma
boa execução» em 2012, explicando que e se essa execução for
superior a 95% do total do orçamento aprovado, poderá ser mantido o
mesmo nível de investimento no sistema, face a 2011.