2012-03-06 às 21:45

NUNO CRATO DEFENDE A LIBERDADE DA EXCELÊNCIA

As instituições do Ensino Superior poderão usar os saldos de receitas próprias para efetuar despesas ao abrigo da lei da execução orçamental, garantiu nesta terça-feira o Ministro da Educação e Ciência. Nuno Crato e a equipa de Secretários de Estado participavam numa audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, em que estiveram em cima da mesa diversos temas do setor.

O Ministro revelou também que quase 90% dos pedidos de bolsas de estudo foram analisados até ao momento. Destes, 52% foram deferidos, num total de mais de 45 mil bolsas atribuídas. O valor da bolsa média subiu tanto no ensino público quanto no privado. No ensino superior público, este valor é agora de 1811,96 euros, o que representa um aumento de cerca de 99 euros face ao ano anterior.

Na ciência, será lançado em breve o concurso Investigador FCT, com o objetivo de «criar um corpo de investigadores, de uma forma mais estável mas ao mesmo tempo concorrencial, porque da concorrência nasce a qualidade», referiu Nuno Crato. «Chegamos a uma etapa nova, em que temos de consolidar os progressos dos últimos anos, temos de continuar com as bolsas de doutoramento, temos de continuar a formar novos jovens», afirmou, lembrando que é necessário salvaguardar a excelência da investigação em Portugal.

Nuno Crato adiantou ainda algumas indicações preliminares do estudo sobre o Programa Novas Oportunidades, que será divulgado até ao final do mês de março. A melhoria da qualificação e do salário de quem frequentou o programa de RVCC (Programa de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) foi «muito limitada», e apenas quem frequentou o programa associado a cursos EFA (Educação e Formação para Adultos) aumentou ligeiramente as suas remunerações salariais. Com a reestruturação do programa, em 2012, este passará a ter uma dupla missão: formação de adultos e orientação profissional de jovens, possibilitando-lhes a aproximação ao tecido empresarial.

Durante a audição parlamentar, o Ministro revelou que a auditoria instaurada à Parque Escolar pela Inspeção-Geral de Finanças está terminada e que ainda está a decorrer a auditoria instaurada pelo Tribunal de Contas, que está neste momento na fase de contraditório. A Parque Escolar «deveria ter estabelecido tetos máximos de investimento e áreas por escola, e deveria ter feito uma apreciação crítica e exaustiva dos projetos de arquitetura e de especialidade antes de submeter as obras a concurso». Em 2007, data de apresentação do programa, o custo unitário de cada escola era de 2,82 milhões de euros, neste momento o custo unitário é de 15,45 milhões de euros. «Houve uma subida de custos muito grande e houve um grande endividamento», afirmou o Ministro.

Relativamente aos pequenos-almoços nas escolas para os alunos mais carenciados, o Secretário de Estado do Ensino e da Administração escolar, João Casanova de Almeida, declarou estar em «reuniões com os conselhos de administração de grandes empresas do setor da alimentação na procura de soluções para esta situação».

A Revisão da Estrutura Curricular do Ensino Básico e Secundário, cujo período de entrega de contributos terminou no passado mês de janeiro, está em fase de análise e em breve serão anunciadas as novas matrizes curriculares. O processo de discussão pública, que incluiu reuniões com mais de 1500 membros de direções de escolas de todo o País, foi muito participado, tendo sido recebidos mais de 1600 contributos.

A liberdade de escolha de escola também foi um dos temas abordados durante a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. O Ministro garantiu que terminará a obrigação de escolher a escola por área de residência: «está a ser ultimado um despacho de matrícula, que alarga o regime do ensino secundário ao ensino básico», disse o Ministro. Será dada mais informação sobre as escolas, nomeadamente sobre os projetos educativos individuais, para que os pais tenham maior conhecimento e possam escolher mais conscientemente a escola dos filhos.

O Ministro congratulou-se ainda pelo acordo alcançado com as organizações sindicais a respeito dos procedimentos dos concursos de seleção de professores, celebrado algumas horas antes da audiência no Parlamento.

Tags: educação, ciência, formação, despesa, curriculo, professores

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