«Quando queremos reformar, não podemos esperar vencer concursos
de popularidade. Não podemos ter medo da insatisfação ou da
crítica. Temos de as aceitar e seguir em frente», afirmou o
Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco. Isto porque «um país
preso às manchetes do dia raramente tem um sentido de amanhã».
Estas declarações foram feitas após a cerimónia de tomada
de posse do Conselho para a revisão do conceito estratégico de
Defesa Nacional, no Forte S. Julião da Barra, em Oeiras.
Acrescentando que «as reformas, as alterações, a ação geram
críticas», o Ministro referiu que isto «é normal. Tem acontecido em
diversos sectores da sociedade. Desde que se faça o exercício do
direito de crítica na forma legal e com respeito da Constituição,
vivemos em democracia e as pessoas e associações são livres de
exprimir a sua opinião, eu estou tranquilo quanto a essa situação,
é a democracia a funcionar».
Considerando «exemplar» a forma como as Forças Armadas têm
lidado com o difícil período que o País atravessa, José Pedro
Aguiar-Branco referiu como prioridade avançar com reformas que
visem «uma maior racionalização que liberte fundos para aumentar o
produto operacional, razão de ser primeira das Forças
Armadas».
Segundo o Ministro, o Governo «restaurou a credibilidade na ação
governativa», e - no sector da Defesa - o objetivo das reformas
estruturais é «racionalizar os meios e dar maior capacidade
operacional» às Forças Armadas.
«As mudanças começaram dentro de casa», acrescentou ainda, com a
redução de 42% dos cargos dirigentes, 18% de cargos intermédios e
29% das unidades orgânicas. Tudo somado, registou-se uma poupança
de «vários milhões de euros» a que acresce a «centralização e
renegociação de rubricas de compra». Como exemplos de medidas já no
terreno, o Ministro realçou a conclusão da pasta da fusão dos
hospitais militares (com a abertura do novo hospital das Forças
Armadas daqui a 18 meses), a reforma do ensino militar (com as
primeiras medidas para setembro) e a abertura do concurso para a
privatização dos estaleiros de Viana do Castelo para julho.
Em relação ao pagamento dos complementos de pensão, José Pedro
Aguiar-Branco afirmou: «O que nós estamos a trabalhar é para
resolver conjunturalmente situação e ela será resolvida a muito
breve trecho e para a resolver estruturalmente porque não é
sustentável um fundo com estas características possa viver com 2
milhões de euros para encargos de 30 milhões de euros».