«A articulação entre as dimensões da política de defesa e da
política económica é absolutamente crucial. Como, aliás, a crise
atual tornou evidente, o novo conceito deverá apontar para
objetivos claros e para capacidades realistas», afirmou o Ministro
da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, na cerimónia da
tomada de posse dos membros do Conselho para a Revisão do Conceito
Estratégico de Defesa Nacional, no Forte S. Julião da Barra,
Oeiras.
O documento que conterá «as grandes opções do conceito
estratégico» será elaborado a partir de uma proposta do Instituto
de Defesa Nacional, e será entregue ao Governo em setembro.
«O desenvolvimento de capacidades civis e militares integradas,
o desenvolvimento da indústria de defesa e sua articulação com o
sistema científico, a generalização de uma cultura de partilha de
recursos são eixos que assumirão um papel chave no novo conceito
estratégico», explicou o Ministro, acrescentando que tem a
expectativa que esta proposta «consiga gerar os necessários
consensos políticos e parlamentares».
A proposta, que será submetida à discussão na Assembleia da
República e à aprovação em Conselho de Ministros, deverá
identificar «a estratégia de alianças na afirmação externa do
Estado e a procura de recursos e de capacidades para ultrapassar as
vulnerabilidades e assegurar o bem-estar das pessoas».
O Conselho nomeado é presidido por Luís Fontoura e integra 24
personalidades de vários quadrantes políticos, entre os quais os
ex-ministros da Defesa Luís Amado e Nuno Severiano Teixeira (PS), o
antigo ministro do Ultramar Adriano Moreira (CDS-PP), os generais
Loureiro dos Santos e Aurélio Corbal, Ângelo Correia, Francisco
Pinto Balsemão, o ex-presidente da Assembleia da República Jaime
Gama, António Vitorino, Gomes Canotilho e os embaixadores Seixas da
Costa e Leonardo Mathias.