Ministério da Agricultura,
do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território
Propostas legislativas da Comissão
Europeia sobre a Política Agrícola Comum pós-2013
A Comissão Europeia reconhece a importância da PAC para
odesenvolvimento económico, territorial, alimentar e ambientalno
espaço da União Europeia.
As perspectivas financeiras para o Orçamento da UE, embora
enunciem estabilidade, estão aquém dos desafios enunciadosna
reforma.
A reforma acontece numa conjuntura em que orendimento dos
agricultores está a ser comprimido. Os preços dos produtos
agrícolas não acompanham a subida dos custos dos factores de
produção.
A Agricultura é um sector estratégico para Portugale um sector
que pode dar um contributo decisivo para o crescimento económico.
No ano de 2010 registou-se um défice comercial no sector
agro-alimentar de 4 000 milhões de euros. Portugal precisa de fazer
crescer produção agrícola.É importante continuar a investir. Temos
cerca de 550 000 hectares irrigados, apenas 15% da superfície
agrícola útil.É essencial incentivar o investimento de jovens
agricultores. Apenas 2% do total têm menos de 35 anos.
A Comissão Europeia propõe uma convergência do principal
instrumento financeiro, os pagamentos directos aos agricultores.
Contudo, enquantoo princípio da convergência é positivo as
propostas são muito pouco ambiciosas na sua concretização e
incoerentes na sua aplicação, ao propor duas velocidades para a
uniformização entre Estados-membros e dentro de cada
Estado-membro.
A inclusão de instrumentos de gestão de riscos e crises, e
incentivos à concentração da oferta nas organizações de produtores
na política de Desenvolvimento rural da PAC são pontos positivos
para a agricultura Portuguesa. O apoio ao investimento no regadio
não deve ser excluído. O direccionamento para um melhor
funcionamento da cadeia alimentar é também fundamental, mas deveria
ir mais além que apenas o reconhecimento das interprofissões.
As políticas públicas e seus instrumentos têm que ter um
horizonte temporal e financeiro claro e instrumentos adequados para
potenciar o desenvolvimento do sector.A previsibilidade é essencial
para o agricultor.
Calendário
A Comissão Europeia apresentou no dia 12 de Outubro as suas
propostas legislativas de revisão da Política Agrícola Comum, PAC,
dando início ao processo negocial que decorrerá nos próximos dois
anos.
O governo português, para tomar uma posição sobre a proposta, no
Conselho de Ministros da Agricultura, dia 20 e 21 de Outubro, no
Luxemburgo, marcou uma reunião com as Organizações de Agricultores
para o próximo dia 17 em Lisboa.
Consideramos que o sucesso da negociação depende muito da
afirmação de posições entre todos os agentes do sector, do diálogo
permanente, da partilha de informação e da capacidade de
compromisso a nível nacional.
A nível externo, estão já agendados contactos
institucionais:
- Ministra Alemã da Agricultura
- Ministro Sueco da Agricultura
- Reunião do Conselho de Ministros com o Parlamento Europeu
- Comissário Europeu da Agricultura que visita Portugal a 8 de
Novembro.
Os trabalhos relativos à reforma da PAC decorrem em paralelo com
o debate sobre as perspectivas financeiras e o processo sobre a PAC
será decidido, em co-decisão com o Parlamento Europeu, com vista a
ser aprovado durante a Presidência Cipriota no segundo semestre de
2012.
PAC - perspectivas financeiras
Sobre as propostas, registamos o reconhecimento da União
Europeia sobre a necessidade de uma PAC forte, que responda aos
desafios alimentares, ambientais e territoriais.
É importante que esse reconhecimento seja suportado por um
orçamento à altura. A proposta, nas perspectivas financeiras de
manter o orçamento da PAC em termos nominais inalterado, não deixa
de ser uma redução, em termos reais (7%), o que não corresponde
totalmente aos objectivos que lhe são propostos.
Comentários sobre os Instrumentos PAC
Sobre os instrumentos da PAC, existem três áreas
fundamentais:
1 - Apoios directos
2 - Mecanismos de mercado
3 - Desenvolvimento Rural
Apoios directos
Convergência:
A Comissão Europeia (CE) propõe a introdução do princípio da
convergência ao nível dos Pagamento Directos, entre países,
aproximando o nível de apoio de cada país à média da União Europeia
e, dentro país, entre agricultores.
A proposta é pouco ambiciosa em termos de convergência entre
Estados membros, propondo uma aproximação de apenas um terço da
diferença à média europeia. Países como Portugal sobem, mas não o
suficiente.
Para além disso, propõe que a introdução da ajuda uniforme se
faça apenas daqui a dois quadros financeiros. Em contrapartida, a
Comissão parece muito mais ambiciosa na maior convergência dentro
de cada país, em que propõe uma ajuda uniforme já em 2019.
Novo desenho pagamentos directosgreening
Propõe também um novo desenho dos pagamentos directos com uma
ajuda uniforme de base complementada por vários prémios.
Um deles, o mais significativo, é um pagamento ecológico que
consiste numa ajuda obrigatória através do cumprimento de certas
práticas culturais amigas do ambiente. A pertinência e abrangência
destas medidas necessitam de uma reflexão a nível nacional e da
UE.
Outro pagamento complementar será um possível pagamento ligado.
Neste caso concreto, temos de ter, a nível nacional, uma análise e
discussão sobre a necessidade de onde, e de que forma, deveremos
manter pagamentos parcialmente ligados. Em qualquer caso, a
possibilidade deve existir.
Ajuda aos pequenos agricultores
No caso dos pequenos agricultores, Portugal considera que a
pequena agricultura é estruturante da economia das zonas rurais
portuguesas. O regime simplificado de ajudas às pequenas
explorações pode ser positivo. Em Portugal, 55% dos beneficiários
têm pagamentos directos até 600 euros.
Agricultores activos
Para definir Agricultor Activo, a Comissão propõe dois
critérios: um, em que estabelece um peso mínimo de 5% dos
pagamentos directos face às receitas não agrícolas do beneficiário,
outro, que obriga à manutenção de alguma actividade agrícola na
exploração.
O critério que compara os pagamentos directos com as receitas
não agrícolas, cujo controlo administrativo terá um peso
assinalável, carece de eficácia a adequação. Já o critério de
manutenção de actividade agrícola na exploração é fundamental, e
pode contribuir a evitar o abandono.
Mecanismos de Mercado
A Comissão Europeia propõe a manutenção dos mecanismos de
mercado existentes, o que é positivo. É importante que a União
Europeia mantenha alguma segurança dos preços nos casos de
crise.
A inserção de medidas associadas ao funcionamento da cadeia
alimentar, em que destaca o alargamento das regras relativas a
Organizações Interprofissionais é positiva. Este é, no entanto,
outro ponto em que é importante que a Comissão seja ainda mais
ambiciosa.
Relativamente a quotas leiteiras e direitos de plantação de
vinha, Portugal lamenta que a Comissão não tenha ouvido a opinião
do Parlamento Europeu que aponta para uma posição mais prudente
para evolução futura destes dois sectores.
Desenvolvimento Rural
Ao nível dos instrumentos de Desenvolvimento Rural, alguns
elementos são positivos:
- A introdução de mecanismos de gestão de risco na PAC
- A inclusão de Apoio a linhas de crédito
- O apoio à constituição de novas Organizações de Produtores é
positiva mas insuficiente.
- A inclusão de um pacote de medidas para os jovens também é
positiva. Em Portugal, apenas 2% dos agricultores têm menos de 35
anos.
- Negativa, é a exclusão do regadio como medida elegível para o
Desenvolvimento Rural.
Em conclusão, as propostas têm elementos positivos mas também
têm outros que vão ser um desafio negocial para Portugal.
A agricultura portuguesa e a PAC - Indicadores chave
| Indicador |
Peso de Portugal na UE27 |
| Tipo |
Designação |
Ano |
Unidade |
| Despesa agrícola |
Total Despesa Agrícola (1.º
pilar + 2.º pilar) |
1.º Pilar:
média pagamentos 2007-2009 medidas mercado e limites 2016
s/modulação; 2.º Pilar: dotação indicativa 2013 |
% |
2,11 |
| 1.º Pilar |
1.º Pilar:
média pagamentos 2007-2009 |
% |
1,5 |
| Ajudas Directas |
limites 2013
sem modulação |
% |
1,3 |
| N..º Beneficiários de Ajudas
Directas |
2009 |
% |
| Ajudas Directas /
Beneficiário |
2009 |
% |
| 2.º Pilar |
média anual dotação indicativa
programação 2007-2013 |
% |
4,0 |
| Eixo 1
(Competitividade) |
% |
5,8 |
| Eixo 2 (Inclui Medidas
Agro-Ambientais, Compensações por Desvantagens Naturais e Gestão da
terra) |
% |
3,8 |
| Eixo 3 e 4 (Diversificação
actividades e Abordagem Leader) |
| Assistência
Técnica |
% |
2,4 |
| Peso no total do 2.º
Pilar |
|
| Medidas
Agro-Ambientais |
% |
1,9 |
| Compensações por Desvantagens
Naturais |
% |
5,1 |
| Indicadores |
Superfície Agrícola Útil
(SAU) |
2009 |
% |
2,2 |
| Unidade de Trabalho Agrícola
(UTA) |
2009 |
% |
3,1 |
| Valor Acrescentado
Bruto (custo factores)
(VABcf) |
2009 |
% |
1,6 |
| SAU em Natura 2000
(em Sítios de Interesse
Comunitário) |
2007 |
% |
3,8 |
| SAU em zona
desfavorecida |
2007 |
% |
3,4 |
| SAU em Sistemas de Alto Valor
Natural |
2007 |
% |
1,2 |
Comparação Actuais Ajudas com a Proposta da Comissão Europeia
(12 Outubro)
| |
Portugal |
UE |
| Ajudas
Actuais |
Ajudas
Futuras*** |
Ajudas
Actuais |
Ajudas
Futuras*** |
| Ajudas Directas* (Milhões
Eur) |
567 |
611 |
42
748 |
42
780 |
| Proporção na UE
(%) |
1,3 |
1,4 |
|
|
| Ajudas Directas / Ha SAU
**(Eur/ha) |
154 |
167 |
251 |
252 |
| Acréscimo
proporcional |
|
7,8% |
|
0,1% |
* Limites máximos nacionais líquidos de modulação
** SAU - Superfície Agrícola Útil, RA 2009
*** Tectos Nacionais Anexo II proposta CE
Especificidade da agricultura em Portugal - Diversidade
Regional
| |
Área média da
exploração
(SAU/exploração) |
Peso da
superfície irrigável
(%) |
Densidade
pecuária
(n.º cabeças normais/Ha SAU) |
Intensidade do
trabalho
(UTAS/100 ha) |
Intensidade
das ajudas directas
(PD/SAU) |
Intensidade
Total Ajudas
(Ajudas SUP/SAU) |
| Norte Litoral |
3,4 |
46,3 |
1,77 |
42,9 |
297 |
378 |
| Norte Interior |
8,1 |
12,5 |
0,26 |
13,4 |
113 |
228 |
| LVT |
9,8 |
28,8 |
1,29 |
12,1 |
224 |
240 |
| Sul |
46,3 |
8,4 |
0,32 |
2,3 |
131 |
147 |
Perfil de Estrutura Produtiva
| |
UE |
Portugal |
Peso no total (%) |
| |
2009 |
2009 |
| Cereais |
35
325,95 |
162,81 |
10,5 |
2,4 |
| Culturas
Industriais |
14
423,14 |
61,21 |
4,3 |
0,9 |
| Plantas
Forrageiras |
23
284,15 |
238,19 |
7,0 |
3,5 |
| Produtos
Horto-Frutícolas |
48
079,94 |
1
328,73 |
14,4 |
19,7 |
| Batata |
8
859,75 |
84,45 |
2,6 |
1,2 |
| Frutas |
20
863,27 |
912,79 |
6,2 |
13,5 |
| Vinho |
16
051,39 |
874,87 |
4,8 |
12,9 |
| Azeite |
3
835,44 |
135,54 |
1,1 |
2,0 |
| Outros Produtos
Vegetais |
3
048,40 |
10,09 |
0,9 |
0,1 |
| Produtos Animais |
51
806,90 |
884,17 |
15,5 |
13,1 |
| Leite |
41.801,99 |
741,71 |
12,5 |
11,0 |
| Outros |
1
929,38 |
232,07 |
0,6 |
3,4 |
| Output Industria
Agrícola |
334
845,73 |
6
761,36 |
100,0 |
100,0 |
Fonte: Eurostat, base 2000, valores produção a preços base